Sociedade

Um terço das crianças açorianas é obesa


 

João Cordeiro   Regional   15 de Out de 2008, 11:06

Com o Dia Mundial da Alimentação à porta (amanhã), Rui César, médico gestor do Programa de Combate à Obesidade dos Açores, revela que um terço das crianças da Região sofre de obesidade e alerta para os perigos da doença.

Apesar de haver cada vez mais campanhas de sensibilização em todas as ilhas da Região, as crianças açorianas continuam com excesso de peso. “Um drama”, considera Rui César, uma vez que “cerca de 80 por cento destas crianças, que tenham pelo menos um dos pais obesos, vão ter o mesmo problema para o resto da vida”.
O médico salienta que as doenças que apareciam com mais frequência aos 60 ou 70 anos vão passar a surgir a partir dos 20. Daí que a obesidade seja considerada, pela Organização Mundial de Saúde, a epidemia do século XXI, uma vez que “arrasta atrás de si outras doenças como a diabetes, a hipertensão arterial e as doenças cárdio e cerebrovasculares, doenças osteoarticulares, cancros, envelhecimento precoce e disfunções psicológicas.
Para procurar inverter esta situação está em curso o Programa de Combate à Obesidade dosAçores, que procura difundir boas práticas de alimentação através da organização de acções de formação como a que juntou, na semana passada, representantes de todos os centros de saúde, hospitais e escolas de enfermagem da Região, e também através do acompanhamento de diversas instituições.
No entanto, para Rui César os primeiros passos para resolver o problema da obesidade deveriam ser a regulação da “publicidade feroz que seduz, atrai, convence, e atraiçoa” o consumidor, assim como uma oferta variada e saudável nas cantinas e bares das escolas, porque “apesar dos Açores terem sido pioneiros na retirada dos refrigerantes, fritos e outros alimentos de alto valor calórico dos estabelecimentos de ensino, não há ainda uma legislação definida.
Reconhecendo que apenas representam “uma gota de água” no “mar” de problemas de obesidade na Região, Rui César salienta a presença de três nutricionistas no Hospital de Ponta Delgada, que efectuam consultas de obesidade infantil, adulta e mórbida.
“O efeito das alterações climáticas e do desenvolvimento da bioenergia na pobreza” é o tema escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação para dominar as reflexões do Dia Mundial da Alimentação, numa altura em que já são mais os problemas com a má nutrição por excesso - que afectam cerca de um bilião e duzentos milhões de pessoas - do que os relativos à fome - que atingem aproximadamente 850 milhões em todo o mundo e que vão ser as principais vítimas do aumento do preço dos alimentos. Rui César apela a que, a propósito do aumento do preço dos alimentos, as pessoas aproveitem para reavaliar a sua alimentação, os seus excessos e os seus desequilíbrios alimentares.


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