Um João (fora) da Ilha

Um João (fora) da Ilha

 

AO Online   Cultura e Social   20 de Out de 2018, 21:00

 “Mares de Indecisão” é o nome do quarto álbum do artista terceirense que será apresentado no próximo mês, gravado em quintento com a inclusão de trompete e bandolim.


Há 39 anos, na freguesia de São Bento, na ilha Terceira, nascia João Pedro Leonardo. Nascia um João na ilha. Que viria a ser o “João da Ilha”, fora dela.

 A aventura da música começou em criança, na banheira: “Chateava a minha mãe a gastar litros de água no único sítio onde me libertava e descontraía para explorar as minhas primeiras capacidades sonoras - a banheira. Mais tarde, pelos meus 21 anos e mais a sério a aventura começa a ganhar forma no meio académico em Setúbal, onde fiz parte de uma tuna e comecei a cantar, tocar e a compor canções.”

Sai dos Açores na entrada do novo milénio, em 2000, mas assume-se apegado às raízes. Por esse motivo é, também, um homem de regressos constantes.

João Pedro adota o nome artístico de “João da ilha” em 2008: “num concerto em Lisboa o organizador sugeriu que tivesse um nome mais apelativo do que João Leonardo e então surgiu-me esta ideia da palavra Ilha, que afinal é tão minha e eu sou tão dela.”

Com quase meia vida fora dela, João da Ilha adianta que lhe dizem, habitualmente, que a sua música transporta os ouvintes para o meio do atlântico: “Dizem-me que soa a Açores, mesmo que as músicas aparentemente não tenham elementos diretamente relacionados com as minhas origens e mesmo que nunca tenham visitado nos Açores”.

O cantautor divide a sua carreira em quatro fases que estão traduzidas pelos 4 diferentes trabalhos discográficos. “Essencialmente há uma nova etapa a cada álbum. Há uma primeira etapa muito crua e despida de arranjos no EP "Pulsação" de 2009 em que formei um trio com voz/guitarra, acordeão e baixo elétrico. Depois uma segunda etapa com o álbum "Amanhecer" em 2011 com a adição de baterista na formação e toda a ampliação sonora que advém daí. De seguida um projeto paralelo em 2015 leva-me a uma terceira etapa, com a gravação de "Som das Esferas", projeto de música instrumental na área da world music com coprodução e participação do músico/produtor Vasco Ribeiro Casais. A quarta etapa com este novo álbum de 2018 o "Mares da Indecisão" gravado em quinteto com a inclusão de trompete e bandolim e novamente com a participação e mais uma vez com coprodução de Vasco Casais.

Em 2013 o tema “Oh Meu Velho!” integrou a banda sonora de uma telenovela da TVI e o músico açoriano diz que isso catapultou um pouco a sua carreira, mas João Pedro sente que o “boom” para o grande público ainda não aconteceu.

João da Ilha recordou alguns momentos felizes da sua carreira: “Nas Sanjoninas 2009 com o músico António Severino dos Tributo como percussionista convidado; Primeira parte de concerto dos O'queStrada em Setúbal no ano de 2010, numa fase em que estávamos a estrear um baterista e ainda não tínhamos o primeiro álbum longa duração gravado; Digressão de quatro datas na Galiza em 2010, no âmbito do circuito musical Outonalidades da Associação d´Órfeu de Águeda; Enérgico concerto na primeira parte dos Deolinda na Feira de Setúbal em 2013; Presenças no Festival do Avante em 2010 e 2011; Concerto na primeira edição do Azores Fringe Festival da MiratecArts na Ilha do Pico; Concerto de final de ano 2013 na Baía de Setúbal. Mais recentemente presença no Festival Cordas de 2017 e 2018 na Ilha do Pico.”

O terceirense fez sempre música de autor com várias influências entre elas a música popular e nomeadamente a música dos Açores. Em parte dedica-se também a tocar canções tradicionais açorianas com arranjos próprios que inclui no seu repertório ao vivo.

O novo álbum chama-se “Mares da Indecisão” e é composto por 12 canções, algumas inéditas e outras mais antigas que estavam arquivadas. No trabalho discográfico João debruça-se sobre a Ilha, sobre emoções decorrentes de vivências muito pessoais e sobre um enorme estado de decisão: “in-decisão”. A palavra, pelo seu significado de hesitação ou irresolução normalmente remete para algo mais negativo, mas para o músico representa algo positivo e transformador consequência de todo o tempo que foi necessário para tomar decisões importantes, desde a escolha das canções à direção musical a seguir. O resultado é um som mais arrojado, com mais exploração “elétrica” e mais variedade interpretativa em termos líricos. O álbum conta com mais do que uma apresentação e em formatos diferentes. Na Terceira, a 17 de novembro, será a solo com a participação de convidados especiais que são amigos de longa data. Em Setúbal, a 23 de novembro, assumirá um formato quinteto.

João Pedro Leonardo vai percorrer as músicas do álbum com uma orgânica diferente do que foi concebido em estúdio mas mantendo a base criativa.

O álbum "Mares da Indecisão" também tem imagem açoriana uma vez que foi concebido pelo artista Zé Dutra Branco, natural da ilha Terceira e a viver no Pico.



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