Sindicatos mantêm luta contra avaliação de professores

Sindicatos mantêm luta contra avaliação de professores

 

Lusa/AO Online   Nacional   12 de Dez de 2008, 16:21

A Federação Nacional de Educação afirma que continuará a usar todos os “meios democráticos” para demonstrar que o modelo de avaliação dos docentes é injusto, após o Governo ter dado por "encerradas" as negociações para a aplicação do processo este ano lectivo.

 O secretário de Estado Jorge Pedreira disse hoje que "está encerrado" o processo de negociações relativamente à avaliação dos professores para este ano lectivo, pelo que o Governo aprovará em breve os diplomas que permitirão a aplicação do modelo este ano de forma simplificada.

    Jorge Pedreira apelou ainda aos sindicatos para aceitarem a "legitimidade democrática do Governo para governar".

    Em declarações à Lusa, o dirigente da FNE, João Dias da Silva, destacou que não põe em causa "a legitimidade democrática [do Governo] para legislar, mas não pode deixar de lembrar a obrigação democrática do Governo para ouvir e atender aos pontos de vista das organizações sindicais".

    "Da parte da FNE haverá a utilização de todas as formas democráticas para continuar a mostrar que este modelo não é isento, é iníquo, é injusto", disse João Dias da Silva, em declarações à Lusa.

    Dias da Silva salientou que a FNE vai "usar todos os mecanismos que façam com que esta avaliação seja substituída por outra" e considerou que o Governo não negociou verdadeiramente com os sindicatos.

    "O senhor secretário de Estado diz que ouviu e negociou. Poderia ter ouvido, mas não negociou, porque negociar significa dar dignidade às contrapropostas do parceiro da negociação e quando as contrapropostas são sistematicamente desconsideradas, esquecidas e não são tidas em conta, estamos a falar de um diálogo de surdos", afirmou.

    O dirigente da FNE considerou ainda "demasiado superficial" a leitura que a ministra da Educação fez da proposta altrnativa de avaliação que os 11 sindicatos do sector lhe apresentaram na quinta-feira.

    “É uma proposta exigente em relação aos instrumentos que servem de suporte à decisão de avaliação", afirmou, destacando que contém um elemento de autoavaliação "mais exigente” do que a autoavaliação prevista na proposta do ME “porque se reporta mais a dados de ordem científico-pedagógica do que a objectivos e a dados de assiduidade".

    A ministra da Educação considerou quinta-feira que os sindicatos não lhe apresentaram "nenhuma proposta verdadeiramente alternativa" para a avaliação dos professores, contemplando sobretudo a autoavaliação pelos docentes.

    João Dias da Silva negou que na proposta de avaliação dos sindicatos seja o próprio candidato a ditar o resultado, explicando que "o avaliado apresenta os elementos que quer que sejam considerados no processo de avaliação".

    Esses elementos são então postos à consideração de uma comissão científica constituída por elementos do conselho pedagógico que analisam e avaliam esses elementos e apresentam uma proposta fundamentada do docente nas dimensões funcional e psico-pedagógica.

    "Introduzimos então outro elemento de avaliação, que é o presidente do Conselho Executivo da escola, que determina a classificação final com base na proposta fundamentada apresentada por essa comissão científica", explicou.

    Num comunicado, a Plataforma Sindical dos Professores também defende hoje o modelo de avaliação apresentado pelos sindicatos e destaca que "os professores continuarão a manter suspenso um modelo que só pode ser defendido e imposto por quem já pôs de lado o interesse da Escola Pública e o direito dos alunos a um ensino de qualidade".

    No mesmo comunicado, a Plataforma Sindical dos Professores refere que, "embora sem grandes expectativas", na próxima segunda-feira "manter-se-á disponível para voltar a discutir e negociar esta matéria" numa reunião com o ME.


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