Educação

Sindicato alerta para "interpretação abusiva" do novo modelo curricular


 

Lusa / AO online   Regional   23 de Nov de 2007, 16:10

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) alertou o secretário regional da Educação e Ciência “para a interpretação abusiva da lei que algumas escolas da região estão a fazer nas alterações da estrutura curricular”.
“O sindicato não está contra a inovação mas contra os experimentalismos constantes cuja base não está provada pedagógica e cientificamente e por isso as alterações introduzidas são precipitadas e incorrectas”, acrescenta o sindicato.

Armando Dutra, presidente daquela estrutura sindical, revelou que “após uma reunião com o responsável governamental ficou a certeza de que as indicações dadas às escolas foram no sentido de analisar e discutir um novo modelo”.

Porém, salientou, alguns estabelecimentos “estão já a transferir áreas curriculares não disciplinares da componente lectiva para a componente não lectiva, o que implica um crescimento do horário dos professores”.

Como exemplo, referiu a área da Investigação e Apoio Multidisciplinar (IAM), cujo conteúdo “ainda é desconhecido”.

O SPRA alerta ainda para o facto de “o aumento de permanência dos professores na escola ser feito à custa de tempo retirado ao trabalho individual de preparação das aulas”.

Nesse sentido, reivindica que “os apoios educativos sistemáticos continuem integrados na componente lectiva como, aliás, está escrito na lei”.

Em conferência de imprensa realizada em Angra do Heroísmo, o SPRA deu também a conhecer as conclusões dos plenários sindicais que organizou em todas as ilhas com 1.200 professores que protestaram maioritariamente contra “as restrições de protecção na doença”.

“O maior problema surge nas ilhas mais pequenas, onde o acesso aos cuidados de saúde é mais limitado”, segundo o sindicato.

O prejuízo daqueles docentes aumenta quando “as consultas ou tratamentos necessitam de ser feitos fora da ilha, o que demora mais de três dias e têm, por isso, de recorrer ao atestado médico”.

Neste caso, os professores têm, obrigatoriamente, de possuir um comprovativo de doença “única e exclusivamente passado pela unidade de saúde situada na ilha de residência”.

Assim, segundo o sindicato, como pode um professor justificar uma consulta ou tratamento que teve de efectuar fora da ilha por esta não ter essa valência de saúde?

Os docentes sentem-se ainda discriminados, segundo o SPRA, “no direito à formação, por não lhes serem atribuídas bonificações de tempo de serviço quando frequentam e concluem pós-graduações, mestrados ou doutoramentos”.

Outro dos protestos dos professores associados do SPRA é a introdução dos “contratos a termo resolutivo”, considerada uma medida precipitada do governo, por “impedir os docentes de se inscreverem na ADSE, quando a nível nacional subsiste o contrato administrativo”.

Criticam ainda “a imposição do modelo de avaliação”, bem como a “sua implementação experimental”, exigindo por isso que “o corrente ano seja o da formação dos intervenientes no novo modelo”.

Armando Dutra revelou ainda que os professores dos Açores “vão aderir à greve geral do próximo dia 30”, argumentando que “quem luta nem sempre ganha, mas quem não luta perde sempre”.
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