Qualidade ambiental em Portugal melhora com a crise económica


 

Lusa/AO online   Nacional   20 de Dez de 2013, 15:38

A qualidade ambiental melhorou no ano passado em Portugal, em parte devido à contração da atividade económica, que provocou, por exemplo, uma redução de emissões de gases de efeito estufa, revela o Instituto Nacional de Estatística.

 No ano passado, a qualidade ambiental "melhorou num contexto marcado pela contração da atividade económica", revela o INE no documento “Estatísticas do Ambiente” hoje divulgado no site da instituição.

Segundo a avaliação à situação registada em 2012, o INE conclui que o contexto socioeconómico e a matriz demográfica foram as principais “responsáveis” pelas mudanças verificadas no meio ambiente.

No ano passado registou-se uma diminuição das emissões de gases de efeito de estufa, um decréscimo do consumo de energia primária, a contração do consumo de combustíveis nos transportes rodoviários e a diminuição do volume de resíduos urbanos.

Em termos económicos, o estudo aponta 2012 como o ano em que se registou a maior diminuição do consumo privado. A desaceleração das exportações de bens e serviços e a descida do salário médio e desemprego registados no ano passado também influenciaram a qualidade ambiental.

As tendências demográficas também tiveram forte influência no ambiente, uma vez que menos pessoas significam menos consumos energéticos, menos resíduos e emissões.

O relatório aponta uma diminuição do consumo dos principais combustíveis usados no transporte rodoviário e uma diminuição de lixo: "foram geradas 4,8 milhões de toneladas de Resíduos Urbanos (RU), menos 7,2% que em 2012", lê-se no documento hoje divulgado.

Juntamente com as diminuições de consumo, registou-se melhorias nas alterações estruturais favoráveis à melhoria das condições ambientais: aumentou a contribuição das fontes renováveis para a produção de eletricidade, diminuiu a deposição em aterro e aumentou a quantidade de resíduos destinados a valorização orgânica.

"Assim, continuou a verificar-se o decoupling (dissociação do estado do ambiente face à atividade económica) visto que a melhoria das condições ambientais superou o impacto associado à contração da atividade económica", conclui o INE.

O abrandamento das pressões sobre o ambiente provocou também efeitos positivos na qualidade do ar e da água, que melhorou.

Em 2012 houve 272 dias em que a qualidade do ar teve a classificação de “bom”, tendo havido um “decréscimo acentuado” das classes de “médio”, “fraco” e “mau” em relação a 2011.

A qualidade da água no continente também melhorou, “podendo afirmar-se que a água na torneira é genericamente de boa qualidade”.

O lado negativo da situação económica registou-se apenas ao nível da sensibilização da sociedade para as questões da sustentabilidade ambiental e para a concentração de recursos nas políticas do ambiente: "a despesa em atividades ambientais diminuiu, com destaque para a redução do investimento (34,4%)", salienta o documento.

Já no que toca às bandeiras azuis atribuídas às zonas balneares, 2012 surge como um ano que quebrou a tendência de aumento de bandeiras atribuídas: no ano passado, o número de bandeiras azuis atribuídas (267) decresceu ligeiramente face a 2011 (-0,4%).

A resposta da sociedade às pressões sobre o ambiente passa pela formulação de medidas políticas, tais como normas legais, taxas e benefícios fiscais e disseminação da informação ambiental.


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