PS/Algarve acusa 19 médicos demissionários de "encenação"


 

Lusa / AO online   Nacional   5 de Nov de 2007, 21:10

Os deputados do PS/Algarve acusaramos 19 chefes do serviço de urgência do Hospital de Faro de protagonizarem "uma encenação" ao anunciarem sexta-feira a sua demissão, que os parlamentares não acrediram que venha a ocorrer.
"Não acreditamos que isso [demissões] vá acontecer", disse à Lusa Aldemira Pinho (Faro), considerando "uma encenação" as 19 demissões anunciadas sexta-feira numa carta enviada à administração e direcção clínica do Hospital de Faro.

"Toda esta encenação é obviamente inserida num espaço de campanha para a eleição do bastonário da Ordem dos Médicos", afirmou Aldemira Pinho, sem querer avançar com mais explicações sobre as posições políticas dos médicos.

Aldemira Pinho e os restantes deputados do PS/Algarve estiveram hoje reunidos duas horas com a administração e direcção clínica do Hospital de Faro e no final, em declarações à Lusa, afirmaram estar tranquilos sobre o processo dos 19 médicos que anunciaram demissão.

"A situação no Hospital de Faro não é nova, é uma situação que não está pior do que estava há uns anos e estamos tranquilos em relação a todo o processo que tem vindo a ser trabalhado no sentido de minimizar os problemas existentes".

Os deputados do PS/Algarve referiram ainda que o Hospital Central do Algarve é mesmo para avançar em 2009.

"Há um compromisso assumido por nós, deputados do PS/Algarve, pelo Governo e seguramente, nós acreditamos que no decurso de 2009 vamos ter o início da obra", mencionou a deputada Aldemira Pinho, adiantando que em 2008 decorre o processo de concurso.

O bastonário da Ordem dos Médicos anunciou em conferência de imprensa, sexta-feira, que 19 médicos chefe das urgências do Hospital de Faro se demitiram.

Na carta de demissão, dirigida à direcção clínica e administração do hospital, os profissionais denunciam as condições "degradantes" em que se encontram os doentes nos corredores daquele serviço e o risco de infecção hospitalar a que estão sujeitos devido à proximidade física entre si.

"Macas contíguas em filas paralelas, onde sem um mínimo de respeitabilidade pela pessoa humana, homens e mulheres, lado a lado, são despidos, higienizados, alimentados, medicados", lê-se na carta.

Os 19 chefes de equipa subscritores da carta questionaram ainda como poderão aceitar que os doentes sejam sujeitos a tão degradante situação e alertam para o "incrível" risco de infecção hospitalar, que contraria "todas as normas mínimas".

Ainda na sexta-feira, a directora clínica do Hospital de Faro reconheceu que alguns doentes corriam risco ao deslocarem-se às urgências da unidade, mas esclareceu que esse risco se restringe aos idosos, obrigados a ficar demasiado tempo em contacto com outros doentes.
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