PME dizem que economia cresceu devido aos impostos


 

Lusa / AO online   Economia   15 de Ago de 2008, 20:15

A associação que representa as Pequenas e Médias Empresas (PME) considera que o crescimento económico anunciado quinta-feira se deve à cobrança marginal de impostos e desafia o Governo a lançar medidas de apoio às PME.
    "Com efeito, para a Associação Nacional das PME, este frágil crescimento de 0,4 por cento dá-se pela via da cobrança marginal de impostos, pelas receitas fiscais (devidas e não devidas), que outrora se chamavam receitas extraordinárias, bem menos penalizantes para as PME, para o crescimento e para o emprego", refere a Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas (ANPME), em comunicado.

    Salientando que o ministro das Finanças já reconheceu que as PME "vão continuar a sentir dificuldades", a associação considera que Teixeira dos Santos "terá de esclarecer muito bem de que lado vem este crescimento económico, pois, como ele diz, não é, de certo, do lado das PME, uma vez que estas irão continuar à espera que o senhor ministro mexa na sua bandeira da carga fiscal".

    A associação lembra que as pequenas e médias empresas apresentaram em 2007 um volume de negócios de 130,8 mil milhões de euros e representam 99 por cento do tecido empresarial português.

    Desta forma, a associação desafia o ministro das Finanças e o primeiro-ministro, José Sócrates, "a copiar as decisões, ontem mesmo tomadas por José Zapatero", chefe de Governo de Espanha, que, "reconhecendo a estagnação da sua economia, resolveu conceder apoios às PME no sector da construção civil, iniciar modificações imediatas ao nível do reembolso do IVA", e "reformas do arrendamento urbano no sentido de fomentar e estimular o sector da construção civil".

    A ANPME salienta que, "em Portugal, o Ministério das Finanças cobra o IVA às PME antes das mesmas o receberem dos clientes", e adianta que, no ano passado, encerraram 15.000 pequenas empresas do sector da construção civil (criando um total de 40.000 novos desempregados).

    Em Portugal existem 264.527 PME, sendo, segundo a ANPME, 60 por cento do sector de comércio e serviços, 17 por cento da indústria, 10 por cento da construção, 10 por cento do turismo e 3 por cento da agricultura e pescas. "Todas elas empregam 2.312.982 trabalhadores, o que dá em média cerca de nove trabalhadores por PME", realça a associação.

    O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, afirmou quinta-feira que os números do crescimento económico, do desemprego e da taxa de inflação, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, demonstram que a economia portuguesa resistiu à conjuntura internacional adversa.

    O INE revelou quinta-feira que a economia portuguesa melhorou no segundo trimestre e cresceu 0,4 por cento, face ao trimestre anterior, escapando à recessão.

    A taxa de desemprego baixou 0,6 pontos percentuais no segundo trimestre, em relação a igual período de 2007, para 7,3 por cento e os preços caíram em Julho, com a taxa de inflação média a manter-se nos 2,7 por cento.

    Relativamente à taxa de inflação, o ministro afirmou que baixou em Julho relativamente a Junho em três décimas e que apesar da média anual se manter nos 2,7 por cento, a taxa de inflação subjacente registou uma quebra de 0,2 pontos percentuais.

    Teixeira dos Santos disse ainda que se registou um aumento do emprego de 1,4 por cento quando comparado com o trimestre homólogo.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.