Oportunidades desiguais para partidos russos nas legislativas


 

Lusa / AO online   Internacional   9 de Nov de 2007, 10:10

O chefe da missão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa para acompanhar as eleições legislativas de 2 de Dezembro na Rússia, disse que nem todos os partidos participantes têm acesso aos meios de informação.
"Manifestámos preocupação pelo facto de, na Rússia, o Estado controlar completamente os órgãos de informação electrónicos. Quando falamos em eleições livres, incluímos incondicionalmente nisso a liberdade de expressão e de pensamento, a possibilidade de informar todos os eleitores da Rússia", declarou Luc van den Brande numa conferência de imprensa em Moscovo.

O representante do Conselho da Europa afirmou que todos os eleitores devem ter acesso a informação objectiva.

"Infelizmente, muitos dos nossos interlocutores informaram-nos que o partido no poder (Rússia Unida) controla totalmente a televisão e rádio. Isto, consideramos, não corresponde aos princípios de realização de eleições livres e democráticas", sublinhou o parlamentar europeu.

Luc van den Brande declarou também que o Conselho da Europa se confronta com uma situação nova, quando "o Presidente (da Rússia, Vladimir Putin) se associou a um dos partidos políticos".

"Isso é um assunto interno da Rússia", frisou, mas acrescentou que "neste caso, podem confundir-se a função presidencial e a função de participante do processo político".

Luc van den Brande considerou também que o número de observadores estrangeiros (300) é claramente insuficiente.

"A Rússia é um país grande, tem nove fusos horários, seria preciso o dobro de observadores", disse.

O mesmo pedido foi também feito pelos Estados Unidos e pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) a Moscovo.

O representante da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa destacou o grande trabalho desenvolvido pela Comissão Eleitoral Central da Rússia.

Praticamente todos os partidos políticos se queixam de discriminação nos "media" em relação ao Partido Rússia Unida, cujo cabeça de lista é o próprio Presidente Putin, bem como de dificuldades levantadas pelos poderes locais à propaganda eleitoral da oposição.

Boris Nemtsov, dirigente da União das Forças de Direita, denunciou que 15 milhões de exemplares do jornal Problema Nº1 foram confiscados em 24 regiões do país, sublinhando que isso se deve ao facto de essa força política "ousar criticar duramente o poder".

O Partido Comunista da Federação da Rússia acusou as autoridades de terem confiscado os computadores e maquinaria de uma tipografia da cidade de Omsk, obrigando ao encerramento desta empresa que imprima propaganda eleitoral para os comunistas.

Ao contrário da campanha eleitoral de 2003, os debates televisivos na actual campanha são transmitidos em directo, mas a oposição acusou o Kremlin de ter viciado as regras a seu favor.

Embora a Comissão Eleitoral Central da Rússia considere obrigatória a participação de todos os partidos nos debates televisivos, a Rússia Unida decidiu não participar.

Além disso, os debates televisivos nos canais públicos não são transmitidos no prime-time.

O primeiro canal (ORT) transmite os debates às 7:00 (hora local) da manhã, o canal TVTS às 17:45 (hora local) e o Rossia às 22:50 (hora local).

"Os reformados com insónias e os que se preocupam mais com os destinos da Rússia do que ela própria gostaria tornaram-se involuntariamente os telespectadores principais da corrida eleitoral", ironizou o jornal Nazavissimaia Gazeta.
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