Indústria automóvel alemã quer 20 a 40 mil milhões de euros da União Europeia

Indústria automóvel alemã quer 20 a 40 mil milhões de euros da União Europeia

 

Lusa/AO Online   Economia   11 de Dez de 2008, 09:39

A indústria automóvel alemã exigiu à União Europeia (UE) ajudas entre os 20 mil e os 40 mil milhões de euros para produzir modelos menos poluentes, advertindo que os apoios às marcas norte-americanas podem gerar concorrência desleal.

As ajudas deveriam assumir a forma de empréstimos com juros bonificados, especificou hoje o presidente da Confederação da Indústria Automóvel Alemã (VDA) Matthias Wissmann, em declaração ao jornal Berliner Zeitung.

    A UE já apoiou a indústria automóvel europeia com empréstimos deste género no valor de 7,2 milhões de euros, em 2007.

    “O importante para nós é que todas as marcas que produzem nos Estados Unidos, e não só as marcas norte-americanas, sejam tratados por igual”, disse Wismann ao matutino berlinense.

    O mesmo responsável lembrou que firmas como a Daimler ou a BMW, que têm fábricas nos EUA e dependem largamente do mercado norte-americano, também são afectadas pela crise e devem beneficiar de ajudas.

    Os fabricantes de automóveis e componentes alemães investem mais de 18 mil milhões de Euros por ano em pesquisa e desenvolvimento, mas devido á crise estão a ter dificuldades em obter empréstimos em boas condições, alegou Wissmann.

    A intenção deste ramo de actividade, que é responsável por um em cada sete empregos na Alemanha, “é liderar a construção de veículos amigos do ambiente a nível mundial”, e assim vender também mais automóveis nos Estados Unidos, anunciou o presidente da VDA.

    A crise financeira internacional atingiu em cheio a indústria automóvel alemã, e a maioria dos fabricantes está a recorrer a planos de contingência, como suspensões temporárias da produção, despedimentos dos trabalhadores a prazo e recurso ao regime de trabalho precário.

    A situação é idêntica na indústria de fabrico de componentes para automóveis: a Continental, maior fabricante alemão de pneus, corrigiu ontem em baixa as suas previsões de lucros para este ano, cortou o pagamento de dividendos para 2008 e 2009 e anunciou um drástico plano de poupanças.

    Outro fabricante de componentes, a Tedrive, que emprega 1500 pessoas na Alemanha abriu falência, e o mesmo sucedeu com a TMD Friction.

    Na Renânia do Norte-Westfália, a região mais industrializada da Alemanha, 15 fornecedores de componentes para automóveis solicitaram já avales no valor de 900 milhões de Euros ao governo regional, que disponibilizou dois mil milhões de Euros para este fim.


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