Futuro do BCP volta a passar pelo BPI

Futuro do BCP volta a passar pelo BPI

 

Lusa / AO online   Economia   25 de Out de 2007, 18:46

Dezanove meses depois de uma OPA lançada sobre o BPI e de quase seis meses de crise pública no BCP, a solução de estabilidade para o maior banco privado português volta a passar, agora, pela fusão com o BPI.
Cinco meses após o falhanço da oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, o BCP mergulhou numa crise cuja resolução, ao que tudo indica, passa por uma fusão entre as duas instituições.

Só que isto acontece depois de o presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, ter batalhado arduamente contra a OPA, trocando palavras com o seu homólogo de então no BCP, Paulo Teixeira Pinto, durante a operação.

Fernando Ulrich chegou a afirmar que o BCP tinha uma estrutura accionista frágil e indicou que estaria indisponível para aceitar uma fusão, enquanto a equipa liderada por Teixeira Pinto se mantivesse em funções.

Nesta sequência, o presidente do conselho de administração do BCP afirmou que seria impossível trabalhar com Fernando Ulrich, sublinhando que desenvolver um projecto em conjunto "implica respeito mútuo".

O então presidente executivo do BCP chegou a afirmar que para "se trabalhar com uma pessoa tem de se confiar nela", deixando implícito que não tinha confiança em Ulrich, mas defendendo que a fusão entre os dois bancos "fazia sentido no passado, faz sentido no presente e fará sentido no futuro".

E foi na sequência do falhanço da OPA, anunciada a 13 de Março de 2006, que as primeiras notícias de que o banco atravessava um clima de instabilidade vieram a público.

O primeiro sinal evidente de algo não está bem no Millennium BCP surgiu quando Jardim Gonçalves, fundador do banco e actual presidente do Conselho Geral e de Supervisão (CGS), apresentou a proposta de alteração de estatutos que reforçava os poderes deste órgão, nomeadamente dando o poder de designar o presidente e vice-presidente da administração.

A proposta, que foi apresentada na assembleia geral de 28 de Maio, acabou por ser retirada por Jardim Gonçalves depois de contestada por vários accionistas do BCP, entre os quais o empresário Joe Berardo, por considerarem que aplicabilidade imediata da mesma levaria ao afastamento de Teixeira Pinto e o regresso do fundador ao poder do banco.

A partir daqui a crise agudizou-se com o grupo de accionistas afectos a Paulo Teixeira Pinto em "guerra" contra os apoiantes de Jardim Gonçalves.

Pelo meio realizaram-se duas assembleias gerais em Agosto que não tiveram qualquer efeito prático - a primeira foi suspensa por problemas informáticos e na segunda foram retirados todos os pontos da ordem de trabalhos, esvaziando a reunião de conteúdo -, a não ser tornar mais evidente a instabilidade do maior banco privado português.

A crise no banco acalmou quando Teixeira Pinto abandonou a instituição, no final de Agosto, alegando razões pessoais, e foi substituído por Filipe Pinhal, mas a instabilidade permanecia latente.

Apesar das negociações lideradas pela Teixeira Duarte, accionista do banco, que tinham como objectivo trazer a "paz" ao banco, nova agitação na instituição no início deste mês, com a história da dívida ao BCP do filho de Jardim Gonçalves, que foi considerada incobrável.

As autoridades reguladoras estão actualmente a investigar os procedimentos, tendo, entretanto, Jardim Gonçalves pago a dívida, calculada em cerca de 12 milhões de euros.
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