Faltam médicos para tratar idosos


 

Lusa/AO on line   Nacional   14 de Out de 2009, 06:14

Apesar de existirem cada vez mais idosos em Portugal, estes não são tratados por médicos especializados devido à inexistência de uma especialidade ou subespecialidade em Geriatria na medicina portuguesa, alertoa o vice-presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia.

A propósito do V Congresso da Associação Portuguesa de Psicogerontologias, subordinado ao tema “Envelhecimento: Da Biologia à Gerontotecnologia”, que decorre quinta e sexta-feira em Lisboa, Wolfang Gruner realçou que, “oficialmente, não há médicos geriatras em Portugal”.

“Há médicos que têm um grande interesse por este grupo de doentes, mas oficialmente não existe” esta especialidade, sustentou o médico, defendendo a necessidade “premente” de resolver esta situação devido ao crescente envelhecimento da população portuguesa.

A alta comissária da Saúde considera que a Geriatria (que estuda a patologia do idoso) devia ser uma subespecialidade da Medicina Interna.

Maria do Céu Machado adiantou à agência Lusa que, tal como existem médicos especialistas em bebés, é necessário haver geriatras para cuidar dos idosos, um “grupo específico, com aspectos especiais do funcionamento dos seus órgãos, que não podem ser tratados como um adulto saudável”.

“Tem de haver alguém com gosto específico para lidar e tratar do idoso tal e qual como há pediatras com gosto específico para tratar de recém-nascidos”, justifica.

Para a alta comissária da Saúde, “há toda uma formação e um conhecimento em fisiologia e fisiopatologia do idoso que é preciso ter”, assim como “todo o conhecimento no tratamento específico” destes doentes.

Maria do Céu Machado dá como exemplo a medicação, lembrando que um idoso toma, em média, sete medicamentos por dia.

“Tem que se conhecer a fisiopatologia do idoso para saber quais podem ser as consequências adversas de, por exemplo, fazer associação de medicamentos”, exemplifica.

Maria do Céu Machado acrescenta que a maior parte das faculdades de Medicina não tem a cadeira de Geriatria. Naquelas que têm, é uma cadeira opcional ou de mestrado ou pós-graduação.

“Tenho conhecimento que a Faculdade de Medicina de Lisboa vai ter uma área de Geriatria e congratulo-me com isso”, frisa.

Para debater os problemas dos idosos, a Associação Portuguesa de Psicogerontologia vai reunir, em congresso, vários especialistas para debater temas como “osteoporose e prevenção de quedas”, “cuidados de saúde para os mais velhos” e “processo de envelhecimento e estratégias preventivas”.

“É premente os profissionais que trabalham nesta área juntarem-se, trocarem ideias e debaterem soluções” para responder aos desafios levantados pelo envelhecimento da população, justifica o vice-presidente da associação.



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