Açoriano Oriental
Escolas preparam regresso dos alunos e professores

Nas escolas, as salas, recreios e corredores ainda estão vazios, mas já são visíveis os preparativos para receber de novo todos os alunos e professores.


Autor: Paula Gouveia

O confinamento, ditado pela necessidade de conter a disseminação do novo coronavírus, obrigou toda a comunidade educativa a ficar em casa e a adotar o ensino à distância, só interrompido pelos alunos do Secundário que realizaram exames nacionais. Agora, seis meses depois, em São Miguel, todos os alunos e professores regressam ao regime de ensino presencial, mas não sem os cuidados possíveis.

Nas escolas, fazem-se os últimos ajustes às instalações e procedimentos a adotar nas rotinas diárias de alunos, professores e auxiliares, a partir da próxima semana.
“Temos feito todos os esforços para que o arranque das atividades letivas decorra com a maior tranquilidade”, repara Ulisses Barata, presidente do conselho executivo da Escola Secundária Antero de Quental.

Como explica o responsável, para minimizar o risco de contágio, cada turma terá uma sala fixa para a atividade letiva, havendo lugar a mudança de sala apenas no caso das disciplinas opcionais. “Nesse caso, o aluno fará a desinfeção do seu lugar, e irá dirigir-se para a sala onde terá a disciplina opcional”, adianta.

Nas salas das turmas que, “de um modo geral têm 20 a 22 alunos”, as mesas estão colocadas de modo a garantir algum distanciamento entre os alunos.

Com o objetivo de “ter menos gente a circular durante o dia dentro da escola”, os horários são desfasados, de modo a que as aulas do terceiro ciclo e das disciplinas de exame do Secundário decorram preferencialmente de manhã, e as restantes disciplinas à tarde, revela ainda o presidente do conselho executivo da Escola Secundária Antero de Quental.

As entradas dos alunos serão feitas por portões diferentes: “os alunos do 3.º ciclo, do ensino profissional e do PROFIJ vão fazer a sua entrada pelo portão norte e os do Secundário pelo portão sul”.

No que se refere ao refeitório, vai funcionar em três ou quatro turnos, e com mesas individuais distanciadas uma das outras, existindo ainda na escola um outro espaço reservado para quem traga as suas refeições de casa.

No que se refere à Educação Física, para evitar a utilização dos balneários em simultâneo, “haverá um desfasamento de 10 minutos para que haja tempo para desinfeção dos balneários e não haja cruzamento de muitos alunos dentro das instalações”.

Os intervalos serão de cinco minutos. E, tendo em conta que são habituais os ajuntamentos nas zonas de recreio e até no exterior da escola, “vamos pedir a sensibilização dos alunos por parte dos encarregados de educação, para que tenham consciência que os principais prejudicados podem ser os seus avós, os seus próprios pais, no caso de um eventual contágio...”, salienta Ulisses Barata, apelando “à consciência dos alunos”.

Nos corredores já se vêem, em locais estratégicos, dispensadores de desinfetante de mãos. E nos bancos de madeira espalhados nas zonas de recreio estão assinalados os lugares suprimidos de modo a garantir o distanciamento.

Falta ainda alguma sinalética no chão, a indicar o sentido em que se deverá circular nos corredores, o que diz Ulisses Barata, será aplicada durante esta semana.

Escola Secundária da Ribeira Grande

Na Escola Secundária da Ribeira Grande, as medidas adotadas são semelhantes, mas haverá necessidade de alterar a hora de entrada dos alunos de alguns anos de escolaridade.

“Em três anos escolares, em vez de entrarem às 8h45, os alunos vão entrar às 10h30, e com estas alterações conseguimos gerir que, só em algumas situações, se ultrapasse as 17h00 na hora da saída, estendendo a atividade letiva por mais 50 minutos”, adianta Ricardo Gonçalves, presidente da Escola Secundária da Ribeira Grande, salientando que foi possível evitar aulas ao sábado.

Na realização dos horários, houve, contudo, a preocupação de que os alunos do Secundário que se deslocam da zona norte do concelho, não cheguem tarde no regresso a casa.

Como explica o presidente do conselho executivo, esta alteração dos horários deve-se também à limitação dos transportes, uma vez que os autocarros só podem usar dois terços da sua lotação.

Quanto aos intervalos, não foi possível fazer o desfasamento, pois como explica Ricardo Gonçalves, tendo em conta as características das instalações, “iria criar eco e não permitiria haver condições de trabalho”.

Na escola que se confronta com sobrelotação, e alguns espaços tiveram de ser readaptados a salas de aula há alguns anos, será necessário abdicar, neste ano letivo, de uma sala para isolamento de eventuais casos suspeitos de Covid-19. “Continuamos com a mesma situação que já se regista há pelo menos quatro anos – temos 400 a 500 alunos a mais”, afirma o presidente do conselho executivo.

Durante os intervalos, a escola pretende deixar salas abertas onde os alunos poderão permanecer - para ajudar a colmatar a falta de espaço de recreio em dias de chuva e incentivar a dispersão dos alunos.

Tal como na Secundária Antero de Quental, nesta escola cada turma terá uma sala fixa, havendo mudança apenas para disciplinas específicas. Contudo, na Secundária da Ribeira Grande a desinfeção dos espaços será função dos assistentes operacionais “que têm tido formação e ainda vão ter sessões de esclarecimento” e terão ao dispor equipamentos próprios (bata, luvas, etc.)”, explica o presidente do conselho executivo.

Para gerir o refeitório, a lotação foi reduzida para dois terços, “haverá desfasamento das horas de almoço, e estendemos mesas individuais a mais uma sala contígua ao refeitório, com o objetivo de tentar manter um número aproximado de refeições às fornecidas no último ano letivo”.

EBI Canto da Maia

Tal como as outras escolas, a Escola Básica Integrada Canto da Maia seguiu as orientações que constam do documento enviado às escolas pela Direção Regional da Educação (DRE) em julho.

No edifício-sede desta escola, onde as instalações são muito recentes, e onde há alunos desde o pré-escolar ao sexto ano de escolaridade, será possível garantir alguma separação dos alunos não só no que se refere aos locais de entrada, recreio, refeitório, como também através do desfasamento de horários.

Como explica Miguel Gameiro, presidente do conselho executivo da EBI Canto da Maia, no pré-escolar e no 1.º ciclo, “tendo em conta que os alunos são mais pequenos, continuarão a entrar às 8h30”, usando o parque sul da escola, sendo que os pais vão poder continuar a levar as crianças do pré-escolar à sala.

No caso do 5.º ano de escolaridade, os alunos também iniciam as suas atividades letivas às 8h30, mas, “por motivos de transporte de alunos”, o 6.º ano só vai entrar às 9h15, estando reservado o portão da entrada principal para estes dois anos de escolaridade. Contudo, como ressalva o presidente do conselho executivo, a escola irá garantir atividades aos alunos do 6.º ano que tenham de vir para a escola mais cedo. Com horas de entrada diferentes, também os intervalos e as horas de almoço serão desfasadas entre estes dois anos de escolaridade, explica.

No refeitório, os alunos dos vários anos de escolaridade também não se cruzam: “a pré vai almoçar um bocadinho antes do meio dia, depois entrará o primeiro ciclo, e a seguir o 5.º ano, e só então o 6.º ano. E o refeitório está organizado com mesas para a pré, para o primeiro ciclo e para o segundo ciclos, e, quando terminarem o almoço, a empresa e os nossos funcionários vão desinfetar as mesas e as cadeiras para os seguintes”, explica o presidente do conselho executivo.

Miguel Gameiro adianta que ainda foi equacionada a possibilidade de servir refeições em regime ‘take-away’, mas a ideia foi abandonada “porque a qualidade das refeições podia ficar em causa”.

Com vários espaços de recreio, “a pré vai ficar num espaço de recreio virado para sul, o primeiro ciclo mais à frente da escola, depois o 5.º ano noutro espaço e o 6º noutro”, revela.

Em vários espaços da escola, foi colocada sinalética para orientação dos alunos e para que saibam a distância que devem manter uns dos outros.

Quanto à Educação Física, haverá no máximo três turmas de cada vez nos espaços do complexo desportivo.

A escola manteve as turmas que já existiam, e quanto às novas tentou que não ultrapassassem os 21 alunos. Cada turma terá uma sala atribuída, e os alunos “só saem da sala para a atividade prática de Ciências e Educação Tecnológica, e Educação Moral. E nestas salas, terão de desinfetar o seu espaço, para que a outra turma entre a seguir”, adianta.

O presidente do conselho executivo revela que foi proposta à DRE a instalação de túneis de desinfeção à entrada, estando a aguardar resposta. Para já, está prevista a instalação de divisórias acrílicas nas mesas duplas que existem algumas salas.

EBI da Ribeira Grande

Na Escola Básica Integrada da Ribeira Grande, optou-se por não alterar a hora de início das atividades letivas, porque, como explica Susana Picanço, presidente do conselho executivo, a escola-sede tem três portões diferentes, permitindo assim que “os alunos não se misturem”. Mas foram feitos alguns desfasamentos de horários: os do 1.º ciclo não saem à mesma hora que os do 5.º e do 6.º anos, e têm horários de almoço diferentes.

Tendo em conta as características do edifício-sede, há espaços de entrada, recreio e refeitório diferentes para o pré-escolar e o primeiro ano; para o 2.º, 3.º e 4.º anos ; e para o 5.º e 6.º anos.

Como adianta Susana Picanço, “os refeitórios foram adaptados para garantir a lotação de dois terços e não haver alunos a comer frente a frente. E as salas de aula também já foram todas adaptadas. Para tornar possível algum distanciamento na sala de aula, tendo em conta que as turmas são relativamente grandes, as mesas foram colocadas enviesadas, em ‘Z’”.

A “grande preocupação” da comunidade escolar é a ventilação da escola: as janelas não abrem e por isso não é possível a ventilação natural das salas, sendo que o sistema de ventilação instalado usa o ar exterior – e se é quente, assim permanece, ou seja não permite que haja entrada de ar fresco do exterior”. A solução proposta à DRE é a instalação de ventilação com arrefecimento, “pois substituir caixilharia é muito mais complicado”, avança a presidente do conselho executivo.

As escolas já receberam do Governo Regional máscaras para distribuir pelos alunos, professores e funcionários. A máscara será obrigatória, ficando isentos de a usar apenas os alunos com menos de 10 anos.

 
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