Embaixadores para UE discutem presidência húngara após várias polémicas numa semana

Os embaixadores dos países junto da União Europeia (UE) vão discutir na quarta-feira o papel da presidência húngara rotativa do Conselho, que arrancou há uma semana, perante uma “preocupação crescente nas capitais” sobre as polémicas do primeiro-ministro húngaro.



Há uma semana, a Hungria assumiu a presidência rotativa do Conselho da UE, que vai liderar até final do ano, e desde então o primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, já realizou deslocações oficiais à Ucrânia (no início da semana passada), à Rússia (sexta-feira), aos Estados Turcos (como Azerbaijão, no fim de semana) e à China (hoje), visitas que geraram várias críticas em Bruxelas e as garantias de que as iniciativas foram no quadro das relações bilaterais e não em representação europeia.

“Há uma preocupação crescente nas capitais sobre o papel que Órban atribui a si próprio na chamada ‘missão de paz’, na qual deveria ser claro que ele está apenas a representar o seu próprio país”, referiu à agência Lusa uma fonte europeia familiarizada com as discussões, numa alusão ao nome dado pelo responsável húngaro a tais iniciativas.

De acordo com a mesma fonte, Viktor Órban tem “deixado intencionalmente muita ambiguidade, exibindo, por exemplo, o logótipo da presidência [húngara do Conselho da UE] nas suas comunicações dramáticas”.

É por esta razão que os embaixadores dos Estados-membros junto da UE vão tentar “obter mais clareza na reunião do Coreper [representantes permanentes dos países] desta quarta-feira”, adiantou.

A mesma fonte admitiu que “as tensões são elevadas após apenas sete dias de presidência, e espera-se que aumentem” com o decorrer deste semestre e, nomeadamente, com a proximidade ao Conselho dos Negócios Estrangeiros de final deste mês, quando se deverá realizar uma nova discussão sobre o Mecanismo Europeu de apoio à Paz, que a Hungria tem vindo a bloquear há vários meses, impossibilitando nova ajuda militar europeia a Kiev, apesar do aval dos restantes 26 Estados-membros da UE.

Uma outra fonte ouvida pela Lusa referiu que “são óbvias” as polémicas envolvendo a presidência húngara da UE até ao momento, estimando que “sejam várias” as delegações a pedir esta discussão na quarta-feira, que ainda não consta porém da agenda oficial da reunião.

A Hungria do controverso primeiro-ministro húngaro Viktor Órban assume este semestre a presidência rotativa do Conselho da UE, com o mote “Tornar a Europa Grande de Novo”.

Numa altura em que a UE atravessa mudanças nas instituições com o novo mandato pós-eleições europeias e em que os Estados-membros se veem confrontados com desafios como a guerra da Ucrânia causada pela invasão russa, a competitividade, a defesa e as migrações, a Hungria sucede à Bélgica na presidência rotativa do Conselho.

“Tornar a Europa Grande de Novo” é o mote desta presidência europeia rotativa, semelhante ao ‘slogan’ e movimento político norte-americano popularizado por Donald Trump durante a sua bem-sucedida campanha presidencial de 2016.

Esta escolha surge a poucos meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro, e quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, tem conhecidas boas relações com Donald Trump, que pode voltar a ser Presidente dos Estados Unidos.

“Já passaram sete dias de presidência húngara, mal podemos esperar para ver os próximos 176. Espera-se que este seja o primeiro debate, mas não o último”, adiantou a fonte europeia à Lusa.

Depois da Hungria, será a Polónia a ocupar a presidência semestral da UE no primeiro semestre de 2025, seguindo-se a Dinamarca na segunda metade desse ano.


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