Degelo vai atingir Portugal "em cheio"

Degelo vai atingir Portugal "em cheio"

 

Lusa/AO online   Economia   3 de Out de 2007, 16:59

O ex-eurodeputado Carlos Pimenta alertou esta quarta-feira, no Porto, para as consequências para Portugal do aumento do nível do Oceano Atlântico resultante do degelo dos glaciares, atendendo à situação geográfica do país.
      "Não se esqueçam que Portugal tem 800 quilómetros de costa e é atingido pelas principais correntes do Atlântico. Temos todas as condições para sofrer em cheio as consequências das alterações climáticas", afirmou Carlos Pimenta.

    O antigo secretário de Estado do Ambiente proferia a aula inaugural do curso de doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia, ministrado em conjunto pelas faculdades de Engenharia do Porto e de Ciências de Lisboa e pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, no âmbito do Programa MIT (Massachusetts Institute of Technology) Portugal.

    "Levei este ano a família à Gronelândia para ver os glaciares enquanto lá estão", contou Carlos Pimenta, alertando para as consequências ambientais do degelo e das emissões de dióxido de carbono.

    Carlos Pimenta referiu que, se houver quem esteja disposto a pagar 200 dólares por barril de petróleo, é possível manter por "mais um século" o actual paradigma energético, centrado na extracção de hidrocarbonetos, mas frisou que "o ambiente não deixa".

    "Todos os anos pagamos a mais uma ponte Vasco da Gama por causa do aumento do preço do petróleo", salientou o agora membro do Centro de Estudos em Economia da Energia, Transportes e Ambiente (CEEETA).

    Para Carlos Pimenta, o crescimento incontrolado de emissões de CO2 resultante da excessiva extracção e consumo de hidrocarbonetos implica que o planeta invista no desenvolvimento e adopção de sistemas sustentáveis de energia.

    Carlos Pimenta defendeu a aposta em energias alternativas e num modelo de redes energéticas inteligentes e abertas, quer na construção, quer nos transportes, mas realçou que é preciso distinguir o que é realmente sustentável.

    "Sou um grande crítico da grande fanfarra que a União Europeia está a fazer à volta dos biocombustíveis, que são uma fraude ambiental", frisou.

    O ex-governante manifestou-se céptico, relativamente à adopção de decisões políticas que conduzam à mudança de paradigma energético, mas reconheceu que há "algumas boas notícias", nomeadamente os investimentos na energia eólica e nas nanotecnologias.
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