Consumo

DECO "chumba" brinquedos perigosos

 DECO "chumba" brinquedos perigosos

 

Lusa/AOonline   Nacional   20 de Nov de 2008, 15:50

Associação de Defesa do Consumidor (DECO) 'chumbou' 14 de um total de 22 brinquedos que analisou por causa de possuírem substâncias químicas tóxicas e cancerígenas, exibirem rótulos errados e terem peças pequenas que se soltam facilmente.
Num estudo que incluiu ainda a Bélgica, Itália e Espanha, foram analisados 77 produtos (22 em Portugal), dos quais 44 não passaram no teste de qualidade feito em laboratórios certificados, segundo a associação.

    Teresa Belchior, técnica de segurança da Deco, explicou que os brinquedos foram comprados em vários lojas, desde as mais baratas até as da especialidade.

    Das três substâncias químicas detectadas nos brinquedos com níveis acima dos permitidos, duas (formaldeíno e cádmio) são tóxicas, enquanto uma (ftalato) é cancerígena.

    Estas substâncias são "ameaças invisíveis", o que torna impossível dar qualquer tipo de conselho aos pais no momento de comprarem brinquedos, admitiu Teresa Belchior.

    Mas os consumidores podem-se precaver quanto às peças mais pequenas, pedindo para abrir as embalagens, advertiu.

    "Se numa loja não deixarem, passem a outra e, em caso de dúvidas, não comprem", aconselhou a responsável, pedindo ainda atenção para os rótulos, que têm de estar em português, incluir a morada do importador ou fabricante e a idade mínima recomendada.

    Depois de 15 anos a fazer testes, a DECO manifestou a sua preocupação por continuar a haver brinquedos perigosos no mercado.

    Apesar de a nova directiva europeia já proibir seis metais perigosos, tornar mais exigente a regulamentação de produtos em contacto com alimentos e dos rótulos, ainda deixa de fora alguns pontos considerados essenciais pela DECO, como “uma comissão de acompanhamento de substâncias e elementos novos”.

    “O mercado do brinquedo é extraordinariamente criativo e inovador e a legislação e as normas não conseguem acompanhar essa actualização", disse Teresa Belchior, defendendo ainda a obrigatoriedade de ensaios em laboratórios independentes e leis mais severas para os reincidentes.

    A responsável da DECO lamentou ainda que os avisos públicos obrigatórios de retirada de brinquedos do mercado "não sejam tão divulgados como deveriam”, para os consumidores conhecerem os infractores e poderem inibir-se de comprar as marcas.

    Ao longo destes anos de testes a brinquedos, a DECO garante nunca se ter enganado nos resultados e até recebe agradecimentos de empresas que foram chamadas à atenção.

    Entre os exemplos de brinquedos perigosos estão umas pequenas bolas macias e de pouco peso (marca "sizzlin'cool") que apesar de serem indicadas para todas as idades, o rótulo indica que se destinam a maiores de três anos. "Os fabricantes fazem isto muitas vezes para fugir às regras mais exigentes aplicáveis para brinquedos para os mais novos", comentou a técnica.

    Um peluche (“soluti”) tem peças que podem ser arrancadas com muita facilidade e engolidas. Já a boneca “Sophie”, além de substâncias perigosas tem uma embalagem de plástico demasiado fina e sem orifícios que se pode colar à cara. Miniaturas de cães em plástico (“universe of imagination”) tinham caudas consideradas como pontas aguçadas e um conjunto de bonecos (“finding nemo”) tinha substâncias químicas perigosas no saco de rede.

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