Bombeiros já registaram 77 queimadas este ano contra as 59 de todo o ano de 2010

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Rui Jorge Cabral   Regional   23 de Ago de 2011, 10:30

Os bombeiros estão a ter um Verão difícil com um número anormal de queimadas. Lei não é cumprida e há dias em que chega a faltar pessoal para o serviço de ambulâncias.

O Açoriano Oriental/AO online entrevistou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, Emanuel Sousa, sobre o número anormal de queimadas este ano.

Os bombeiros não têm tido mãos a medir com as queimadas, com dias em que há mais do que uma ocorrência do género.

Uma situação que acontece em altura de férias, o que tem colocado alguns problemas de gestão de recursos humanos aos bombeiros, quando ao mesmo tempo surgem serviços de ambulância.

Segundo admite o comandante Emanuel Sousa, há mesmo casos em que é preciso fazer esperar um serviço de ambulância - até agora sempre sem gravidade - porque os recursos estão todos ocupados no combate às queimadas, o que vai obrigar os bombeiros a reforçar o pessoal aos fins-de-semana e feriados durante o Verão.

 

Quantas situações de fogos rurais, as populares queimadas, já registaram os Bombeiros de Ponta Delgada este ano?

 

Comparando 2010 com este ano até agora, verificamos que enquanto tivemos 59 situações de fogos rurais em todo o ano de 2010, este ano e ainda estamos em Agosto, já registamos 77 situações de fogos rurais, ou seja, já vamos em quase 20 situações a mais por comparação com todo o ano de 2010.

 

Este ano está a ser, por isso, um ano muito fora do normal...

 

Temos tido situações de três fogos rurais no mesmo dia, o que não foi de todo normal noutros anos.

 

Qual ou quais foram até agora as queimadas mais perigosas?

 

Felizmente, não houve até agora perda de vidas ou de habitações por causa de fogos rurais. A situação mais grave que tivemos foi na Serra de Água de Pau, onde ardeu uma área bastante vasta com um acesso muito difícil.

 

A legislação que regula as queimadas é cumprida?

 

A legislação é de 2008 e tem uma quantidade de procedimentos que não são, de forma alguma, cumpridos. Desde logo, na maneira como são feitas as queimadas, uma vez que no local em que é feita uma queimada tem de haver meios de combate a incêndios, um extintor, uma saída de água ou pás. Para além disso, a queimada só pode ser feita com sobrantes vegetais e não em grandes quantidades. No entanto, as pessoas aproveitam para limpar matas e outros tipos de ‘tralhas’ que tenham em casa nas queimadas. Também é obrigatório avisar os bombeiros, no mínimo com 48 horas de antecedência antes da queimada e isso só muito raramente acontece.

 

Que consequências esse incumprimento pode ter para os proprietários dos terrenos onde são feitas as queimadas?

 

Podem ser acusados de crime. Há um departamento da GNR que chamamos nessas situações - o SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente) - que é a entidade que, nestes casos, pode aplicar multas a quem não cumpre a lei. No entanto, as muitas são de valores tão irrisórios (entre 30 a 170 euros), que a maior parte das pessoas prefere pagar a coima a deixar os sobrantes vegetais em casa. *

 

*Leia esta entrevista na íntegra no jornal Açoriano Oriental de terça-feira, 23 de Agosto de 2011.


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