Açoriano Oriental
Autarquia preocupada com efeitos negativos do Covid-19

Luís Silveira. Presidente da Câmara Municipal das Velas centraliza esforços na restruturação da economia local e investe no turismo interno


Autarquia preocupada com efeitos negativos do Covid-19

Autor: Concelho@concelho

Com a pandemia como pano de fundo, de que forma é que São Jorge está a lidar com este cenário?
Este é um momento atípico, para o qual não estávamos preparados e tivemos de aprender a lidar. Este cenário trouxe-nos inúmeros constrangimentos. Desde logo, prejuízos na economia local por via do que são as medidas preventivas impostas, numa altura em que o setor do turismo estava em franco crescimento e para os quais o Município tem contribuído para minimizar os danos.

Quais os esforços reunidos para apostar na economia local e no turismo nacional?  
Os esforços foram aqueles que entendemos que o Município tinha condições para apoiar. Seja para pessoas, empresas e Instituições, com um conjunto de medidas que visam mitigar os efeitos negativos criados, salvaguardando a saúde pública e o interesse dos Munícipes. Em termos de promoção, suspendemos, até determinada altura, aquilo que era o nosso plano de ação promovendo o destino São Jorge, por via de “Velas, Capital do Queijo”, trabalho que temos vindo a retomar aos poucos, embora numa dimensão totalmente diferente, e sobretudo virado para o turismo interno, convidando as pessoas a nos visitarem, em segurança.

Considera a adoção do selo “Clean&Safe”, implementado pelo Turismo de Portugal, uma medida que tranquiliza quem queira passar umas férias tranquilas e seguras na ilha “castanha”?
Acredito que pode contribuir para que as pessoas tenham a noção que vêm para um destino que é seguro, sendo que São Jorge não regista casos de Covid-19 há muito tempo. Este é um destino que já era apetecível antes - prova disso tem sido a forte procura que temos tido, com um crescimento exponencial do número de dormidas - por tudo o que temos enquanto destino de natureza, pelo ex-líbris que são as Fajãs - Reserva da Biosfera, aliada à gastronomia, coroada com o Queijo de São Jorge DOP, com mais de 500 anos de história, é óbvio que é um destino que aconselhamos. Esta é uma Ilha encantadora, deslumbrante, extraordinária nas suas gentes, valiosa nas suas tradições e manifestações culturais, oferecendo igualmente a todos quantos nos procuram inúmeras atividades de mar e terra, assim como momentos de paz, harmonia e descanso.

Qual é a estratégia que os agentes económicos e os artistas locais estão a recorrer para amenizar os efeitos de uma possível crise?  
Feliz ou infelizmente não temos artistas que dependam financeiramente da atividade, mas que desta fazem um hobbie. A maioria fá-lo por gosto de manter as nossas tradições ou por complemento ao seu rendimento mensal. A verdade é que se sente a falta da atividade cultural que é muito forte no concelho, por via do que são as Festas do Divino Espírito Santo, daquilo que é a iniciativa Recreativa, Cultural e Desportiva, sendo esta de todo importante, inclusive no âmbito da Agenda Cultural que se mantém suspensa e que contribuía também para dinamizar a economia local e o setor turístico.

Já é possível fazer um balanço total das perdas sofridas devido ao surto?
Ainda é prematuro. Acredito que os números vão surgir em breve e vamos perceber que há aqui uma grande perca. A exportação do Queijo São Jorge DOP caiu por via da instabilidade dos mercados, sendo a base do sustento da Ilha. É notório que existem empresas que passam por dificuldades e que apesar de todos os apoios, não é o suficiente para colmatar o nível de percas. Temos um longo caminho a percorrer sendo que tudo faremos para ajudar a essa retoma que é imperiosa para a sobrevivência das pessoas e das empresas, e estou certo de que todos juntos conseguiremos ultrapassar este momento difícil, com a garra e determinação que carateriza os açorianos e, em particular, os jorgenses.

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