Relatório "Educação para todos"

Apesar dos progressos o analfabetismo persiste nos adultos


 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Nov de 2007, 15:42

Os progressos na escolarização das crianças e a persistência do analfabetismo nos adultos são duas das conclusões do relatório anual da UNESCO sobre educação apresentado esta quinta-feira.
O relatório "Educação para todos" é publicado anualmente desde a conferência de Dacar, em 2000, quando 164 governos se comprometeram em atingir determinados objectivos na educação para as crianças, jovens e adultos até 2015.

Como aspectos positivos, o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura assinala que desde 2000, o número de crianças que inicia a escolaridade aumentou nitidamente, há cada vez mais raparigas na escola e aumentaram os gastos com educação e apoio .

As más notícias são que a baixa qualidade e o alto custo da educação, assim como a persistência de altos níveis de analfabetismo, põem em risco as hipóteses de cumprir os objectivos estabelecidos em 2000, segundo a UNESCO.

O relatório da agência da ONU indica que no ensino primário o aumento entre 1999 e 2005 foi de 41 milhões de alunos (de 647 para 688 milhões), com subidas de 36 por cento na África subsaariana e de 22 por cento no sul e oeste da Ásia.

Em todo o mundo, o número de crianças fora da escola diminuiu de 96 milhões em 1999, para 72 milhões em 2005.

Segundo a UNESCO, "os progressos rápidos na escolarização de todas as crianças e no sentido da paridade entre os sexos no ensino primário, por exemplo no Burkina Faso, na Etiópia, na Índia, em Moçambique, na Tanzânia, no Iémen e na Zâmbia, mostram que a vontade política nacional, conjugada com a ajuda internacional, pode fazer a diferença".

Entre 1999 e 2005, 17 novos países alcançaram a paridade na educação primária, com igual número de rapazes e raparigas a irem à escola, incluindo o Gana, Senegal, Malaui, Mauritânia e Uganda, e 19 conseguiram-no ao nível do secundário, incluindo a Bolívia, Peru e Vietname.

A organização observa, no entanto, a persistência de desigualdades profundas no acesso à educação, entre zonas urbanas e rurais, entre categorias sociais e em relação às crianças com deficiência.

A desigualdade continua ainda entre os sexos e a UNESCO lembra que "o facto de se ser uma rapariga aumenta a probabilidade de não escolarização", para indicar que a proporção de raparigas entre as crianças que não vão à escola apenas diminuiu dois por cento entre 1999 e 2005 (de 59 para 57 por cento).

É no sul e oeste da Ásia (66 por cento) e nos Estados árabes (60 por cento) que as raparigas são mais discriminadas, refere a organização.

Além das taxas de escolarização, são assinaladas ainda as grandes diferenças ao nível do ensino proporcionado, muitas vezes devido à insuficiência de meios.

Em numerosos países africanos, "25 a 40 por cento dos professores dizem não ter manual ou livro do professor das matérias que ensinam".

A UNESCO lamenta, por outro lado, que o custo da educação continue a limitar o acesso à mesma.

"Apesar de cláusulas constitucionais na maioria dos países garantindo educação primária gratuita, a maior parte das crianças das escolas primárias públicas tem algum tipo de despesa, que algumas vezes representa até um terço do rendimento da família", assinala.

Em relação ao analfabetismo que atinge em todo o mundo 774 milhões de adultos (um em cada cinco ou um em quatro no caso das mulheres), a UNESCO lamenta que continue a ter "uma atenção mínima" no que se refere a políticas de educação.

Classificando de "escândalo" aqueles números, a organização salienta que "sobretudo o analfabetismo das mulheres tem forte influência na educação e saúde das crianças".

Mais de três quartos dos analfabetos adultos no mundo vivem apenas em 15 países, oito dos quais muito populosos (Bangladesh, Brasil, China, Egipto, Índia, Indonésia, Nigéria e Paquistão), e encontram-se ainda taxas de alfabetização inferiores a 50 por cento em vários países do sul e do oeste da Ásia e da África subsaariana, assinala a UNESCO.

A organização apela aos países doadores para "fornecerem ajuda de modo mais eficaz" e aos Estados para insistirem nos seus esforços, adiantando que de acordo com as actuais tendências "58 dos 86 países que ainda não atingiram o ensino primário universal não o conseguirão fazer até 2015".

No mesmo sentido, "nos 101 países ainda longe da instrução universal, 72 não conseguirão diminuir para metade a sua taxa de analfabetismo dos adultos" até 2015, refere ainda a UNESCO.

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