“Há-de chegar o dia em que se viverá da música nos Açores”

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Paulo Simões / João Alberto Medeiros   Regional   15 de Nov de 2009, 21:18

O músico de origem cabo-verdiana Jaime Goth foi o convidado do programa da rádio Açores/TSF, "Conversa Fiada", de Paulo Simões. Um dos mais inconformados músicos do panorama musical dos Açores, Jaime Goth deixou algumas confidências e revelou como a sua dualidade insular o moldou para a música.

Chegou aos Açores há 30 anos, dedicando-se à música. Possui um bar e está a fazer renascer o projecto "Raízes Mistas". Porquê?

Tal como na política, na música também temos muitas vezes que fazer uma travessia. Sempre estive ligado à música, porque nós cabo-verdianos já tocamos no ventre das nossas mães.

Não é fácil vingar numa terra como a nossa, em que as coisas acontecem muito devagar. Ou temos formação académica que nos permite vingar à partida, ou vamos encontrando os caminhos aos poucos, abrindo os atalhos. Comecei por tocar rock, mas mais tarde apercebi-me que as pessoas identificavam-me muito com uma das minhas terras (Cabo Verde), porque eu costumo dizer que também sou de São Miguel. Nasci na ilha de São Nicolau, a ilha de onde saiu o que chamo o hino cultural de Cabo Verde: o tema "Saudade".

Os concertos dos "Raízes Mistas" no Coliseu e nas Portas do Mar correram bem?

Foi muito positivo, as pessoas aderiram muito bem, gostaram e acarinharam-me porque já me conhecem bem como filho desta terra.Neste momento tenho dois filhos a tocar comigo, que se calhar foram a razão porque estive afastado. Estive a prepará-los e a educá-los musicalmente. São músicos do Conservatório de Ponta Delgada e que dão o seu contributo nas teclas e na bateria, embora tenham aptidões para outros instrumentos.

Este é um dos muitos projectos quem tem?

Não é possível viver da música nos Açores, mas há-de chegar o dia em que isso irá acontecer. Tenho vários projectos musicais mediante o que nos pedem. Ainda ontem, um músico guineense dizia-me que tocava para os ricos e para os pobres. Não faço esta distinção. Até funerais já fiz, que é uma tradição em Cabo Verde. Temos que ser musicalmente versáteis porque aquilo que aparece não corresponde muitas vezes ao que gostaria de fazer.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa do Açoriano Oriental de 16 de Novembro de 2009.


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