Açoriano Oriental
Um presépio onde cabe um pouco da ilha de São Miguel

Ricardo Moreira recriou edifícios icónicos para criar um presépio que pode ser visitado em sua casa. São mais de 30 peças e 400 bonecos



Autor: Nuno Martins Neves

As duas mil luzes do Convento da Esperança roubam logo a atenção de quem entra no anexo da casa número 28 da rua António Sérgio, na freguesia do Pico da Pedra. 

Hipnotizantes, fazem qualquer um viajar até às festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A perfeição com que o edifício foi recriado, bem como os figurinos que simulam a procissão, são apenas um dos aspetos que tornam o presépio de Ricardo Moreira um mimo para a vista.

Guarda-florestal há 22 anos, mas apaixonado por presépios a vida toda, Ricardo Moreira trouxe um pouco da ilha de São Miguel até ao seu anexo: a neogótica Capela de Nossa Senhora das Vitórias , que surge por entre fumarolas criadas por uma máquina de fumo; a fábrica de Chá Gorreana ou uma imagem de outros tempos, como é o caso da fábrica das Lombadas.

“Em criança, ajudava sempre a montar o presépio. Mas nessa altura ele tinha 1m2, agora já vou nos 12m2”, conta, com orgulho. O gosto pelos trabalhos manuais fê-lo aceitar o desafio que a sua mulher lhe lançou, em 2015, para construir réplicas, à medida, de edifícios de São Miguel.

“Pus mãos à obra, claro que no início, não correu tudo bem, mas ao longo do tempo fui aperfeiçoando técnicas. Sempre tive muita habilidade de mãos. Desde o momento que penso numa peça que vou criar, tenho de pensar na técnica que vou precisar para chegar lá. A parte dos telhados é uma técnica própria que eu tenho, pois isto é tudo em madeira”, diz, com a mestria de quem trabalha madeira e pedra como quer.

Nunca faz um presépio igual ao anterior e precisa, quase sempre, de “uma semana, uma semana e meia” para concluir o trabalho.

“Antes de criar uma peça nova, faço muita pesquisa, desde fotografar o edifício de vários ângulos, até ver fotografias antigas, como aconteceu com as Lombadas, pois nos dias de hoje já só existem as ruínas da fábrica. Muitas pessoas que nunca a viram, estão a ver a fábrica pela primeira vez”.

O gosto por este hobby já lhe permitiu criar imensos edifícios que estão na memória dos micaelenses e dos açorianos. Mas ainda há muitos projetos pela frente e Ricardo Moreira tem um, em particular, que sonha em realizar.

“Há uma igreja que penso nela sempre que passo por ela, que é a Matriz de Ponta Delgada. Émuito emblemática e complicada. Nunca se sabe o futuro, mas espero um ano destes montar aquela igreja”.


Peças vão estar em exposição por Ponta Delgada

O próximo ano vai ser marcante para Ricardo Moreira, pois vai ter as suas peças numa autêntica digressão por diversas juntas de freguesia do concelho de Ponta Delgada.
Isso obrigará a que a exposição que tem no anexo da sua casa - e que é visitável - termine mais cedo.

“Inaugurei o presépio em minha casa a 17 de dezembro e vai estar em exibição até dia 3 de janeiro. Depois vai ser exposto na Câmara Municipal de Ponta Delgada, durante dois meses em algumas localidades”.

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