No discurso anual aos embaixadores franceses, Macron defendeu que as instituições do multilateralismo estão a funcionar de forma cada vez menos eficaz, num contexto marcado pela afirmação de potências como os EUA, a Rússia e a China.
O chefe de Estado francês denunciou ainda o que classificou como uma crescente “agressão neocolonial” nas relações diplomáticas, rejeitando a lógica da “lei do mais forte”.
As declarações surgiram num contexto internacional tenso, após a recente operação militar norte-americana na Venezuela para capturar o Presidente, Nicolás Maduro, bem como perante as reiteradas intenções do Presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Gronelândia, mesmo pela força.
Macron citou também a guerra da Rússia na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano, e as ameaças chinesas em relação a Taiwan, além do que descreveu como agressividade comercial de Pequim.
Perante este cenário, o Presidente francês apelou para que a UE não se resigne a um papel apenas moral e defendeu o reforço do poder militar europeu, bem como a proteção das regras económicas e tecnológicas do bloco.
Macron sublinhou a necessidade de defender e reforçar a legislação europeia que regula o setor tecnológico, incluindo a Lei dos Serviços Digitais e o quadro europeu de proteção de dados, que considerou parte de um “escudo democrático” contra interferências externas.
O Presidente francês defendeu ainda a implementação, a partir deste ano, de uma agenda acelerada para as preferências comerciais europeias e a simplificação do mercado único e do mercado de capitais, sublinhando que a Europa precisa de “existir plenamente” enquanto bloco de 450 milhões de habitantes.
Sem mencionar diretamente o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, cuja assinatura está prevista para a próxima semana, Macron insistiu na inclusão de cláusulas de espelhamento para garantir que os produtos importados cumprem as normas europeias, posição que sustenta a oposição francesa ao acordo e visa proteger, em particular, o setor agrícola.
Macron acusa EUA de se afastarem de aliados e alerta para divisão do mundo
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os Estados Unidos se estão a “afastar gradualmente” de alguns aliados e a desrespeitar normas internacionais, alertando para a tentação das grandes potências de dividir o mundo
Autor: Lusa/AO Online
