ONU pede eleições livres no Líbano


 

Lusa / AO online   Internacional   6 de Nov de 2007, 21:10

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reclamou segunda-feira a realização, este mês, de eleições presidenciais livres e justas, sem ingerência estrangeira.
No final de consultas sobre o assunto, o Conselho aprovou uma declaração não vinculativa, reafirmando "a necessidade de organizar uma eleição presidencial livre e justa, no respeito pela Constituição libanesa e sem ingerência ou influência estrangeira".

Lida pelo embaixador da Indonésia na ONU, Marty Natalegawa, que preside ao Conselho em Novembro, a declaração reafirma "a necessidade de todas as partes resolverem todos os problemas políticos na base da reconciliação e do diálogo nacional".

A declaração foi aprovada, por unanimidade dos 15 membros, depois de o Conselho ter ouvido um relatório do emissário especial da ONU para a aplicação da resolução 1559, Terje Roed-Larsen.

Esta resolução de Setembro de 2004 exige o desarmamento e o desmantelamento de todas as milícias libanesas e estrangeiras, assim como o restabelecimento da soberania, da integridade territorial e da independência política do Líbano.

Duas tentativas para convocar o Parlamento libanês com o objectivo de encontrar um sucessor para o presidente pró-sírio Emile Lahoud, cujo mandato expira a 24 de Novembro, falharam por falta de consenso entre a maioria parlamentar, apoiada pelos ocidentais, e a oposição, apoiada pela Síria e o Irão.

A próxima tentativa de eleger um presidente para o Parlamento está prevista para 12 de Novembro mas depende, em princípio, de um compromisso sobre um candidato entre a maioria e a oposição.

Todavia, o embaixador norte-americanno na ONU, Zalmay Khalilzad, declarou que, ao olhos de Washington, "nas democracias, os presidentes podem ser eleitos pela maioria", parecendo renunciar ao princípio do compromisso.

"Nós esperamos que o presidente que seja eleito (no Líbano) tenha o apoio mais amplo possível mas a eleição deve ter lugar nos prazos (previstos) e sem ingerência "estrangeira", disse à imprensa.

Na sexta-feira, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, opôs-se a iniciativas diplomáticas em curso para resolver a crise libanesa, rejeitando os " compromissos " com a oposição libanesa pró-síria.

O Líbano atravessa uma grave crise política depois da demissão em Novembro de seis ministros da oposição do governo pró-ocidental de Fouad Siniora. Desde então está totalmente paralisado, com a oposição conduzida pelo Hezbollah xiita a reclamar uma parte mais importante do poder.

Teme-se que esta situação leve á formação de dois governo rivais e ao regresso aos últimos anos da guerra civil (1975-1990), onde duas administrações concorrentes disputavam o poder.

Khalilzad acrescentou que os Estados Unidos partilhavam a inquietação expressa pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, de que Lahoud possa não deixar o cargo quando devia (no final do seu mandato), ou que seja formado um governo distinto e ilegítimo".
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