Mirna Valerio corre contra os preconceitos e ensina mais agora do que na escola

Mirna Valerio corre contra os preconceitos e ensina mais agora do que na escola

 

Lusa/AO Online   Outras modalidades   24 de Mai de 2019, 13:47

A ultramaratonista Mirna Valerio vai participar numa das provas do Azores Trail Run, na ilha do Faial, no sábado, em mais uma etapa desta antiga professora norte-americana contra os preconceitos.

“Eu gosto de correr, adoro, e isso mudou a minha vida drasticamente, de muitas maneiras, não só física, mas, sobretudo, emocional e mentalmente. Quando me apresento, digo que sou uma corredora, uma mãe de um miúdo de 16 anos que também gosta de correr, Fui professora de espanhol e de música durante 18 anos e agora corro, de forma patrocinada por empresas que apoiam o meu estilo de vida e a minha mensagem, que é conseguir a felicidade”, explicou, em entrevista à agência Lusa.

Mirna Valerio não é uma corredora de topo, nem tão pouco convencional. Tem 43 anos, pesa mais de 100 kg, mas é um fenómeno nas redes sociais na Internet, contando cerca de 56 mil seguidores no Instagram e 18 mil no Facebook, e regressou aos Açores, para voltar a disputar uma corrida nos trilhos da ilha do Faial, desta vez de 25 quilómetros, depois de ter desistido na prova de 65 no ano passado, devido a uma lesão na anca.

“Qualquer corpo que tenhamos, seja magro, seja gordo, seja negro, pertence ao exterior e eu acho que perdemos isso. O que eu faço é tentar mostrar às pessoas que podemos fazer o que queremos, independentemente de quem somos e de como somos”, referiu a nova-iorquina.

Esta frontalidade valeu-lhe “muita negatividade”, que, reconheceu, “magoa, magoa muito”, mas de pessoas que não têm controlo na sua vida: “Posso deixar-me ‘engolir’ ou continuar a fazê-lo e ser um modelo para a minha família, para quem é inseguro em si, e ajudar a quebrar esta barreira”.

Não parou desde 2008, quando um sobressalto de saúde a fez voltar a correr regularmente. Enfrentou corridas de 10 quilómetros, avançou para meias maratonas e terminou maratonas e ultramaratonas. A mais difícil foi a Transrockies, com 193 quilómetros divididos em seis etapas, e a mais longa a Javelina Jundred, de 100 quilómetros, que percorreu em 25:59.55 horas.

Depois de se ter “apaixonado pela ilha” em 2018, volta a enfrentar os trilhos faialenses no fim de semana, onde vão decorrer corridas organizadas pela Azores Trail Run de várias distâncias, entre os 11 e os 118 quilómetros, com a companhia de “um grupo de 12 amigos”.

“Eu nunca deixei de ensinar. Era professora no ensino secundário, mas agora tenho outras plataformas de ensino e acesso a mais pessoas, que me seguem, que me veem e leem o que digo nos jornais, e partilho as lições que tiro com uma audiência maior, por isso, acho que sou mais professora agora”, admitiu.

Estas lições valeram-lhe um aluno especial, o ator Will Smith, pediu-lhe ajuda na preparação da meia maratona de Havana, em Cuba, numa ação para uma das partes do documentário no Facebook “Will Smith's Bucket List”.

“Ele só treinou três semanas, mas acabou a prova em cerca de duas horas e meia. Ele é muito competitivo e o conceito do programa é mesmo esse, contrariar o envelhecimento natural. E ele já tem 50 anos. Acho que conseguiu”, rematou Mirna Valerio, que promete tentar fazer o mesmo em cada metro de trilho que percorre.


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