Ucrânia

Derrota de Kiev custaria três vezes mais à Europa

O comissário europeu da Defesa e Espaço advertiu em Lisboa para os riscos de a Europa não investir mais na Defesa, afirmando que uma derrota da Ucrânia custaria três vezes mais que a vitória



“Temos de perguntar quanto nos custaria se não apoiássemos a Ucrânia” a defender-se da invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022, afirmou Andrius Kubilius, durante uma audição conjunta pelas comissões parlamentares de Defesa e Espaço, no último dia da visita a Portugal.

O responsável citou um estudo que indicava que a vitória da Rússia no conflito e consequente fuga para a Europa de milhões de ucranianos refugiados, custaria 1,5 milhões de milhões de euros aos países europeus.

Um cenário de vitória da Ucrânia representaria um custo de 500 mil milhões de euros, em termos de apoio prestado a Kiev.

Assim, uma derrota da Ucrânia, salientou, “custaria três vezes mais”.

O comissário europeu defendeu a necessidade de a União Europeia aumentar o apoio à Ucrânia.

“Parece que [o Presidente russo, Vladimir] Putin considera que consegue ganhar a guerra e não está convencido de que o nosso apoio seja suficiente para a Ucrânia vencer”, comentou.

O antigo primeiro-ministro lituano manifestou-se confiante de que a paz chegará à Ucrânia, mas comentou que Putin continuará a investir na economia de guerra e lembrou que analistas consideraram que "a paz na Ucrânia vai criar possibilidades de uma nova ofensiva da Rússia contra a Europa".

Durante a audição, salientou que os Estados-membros vão aumentar em 100 vezes o orçamento dedicado à defesa.

“Não nos podemos esquecer que a maior parte da despesa vem dos Estados-membros”, referiu, recordando que os países se comprometeram a aumentar o investimento em defesa real até 3,5% dos respetivos produtos internos brutos (PIB) além de 1,5% adicionais.

“Nos próximos 10 anos, os Estados-membros vão gastar 6,8 milhões de milhões de euros. O próximo orçamento de defesa da UE vai ser cinco vezes maior do que foi até agora, cerca de 60 mil milhões de euros”, disse.

Questionado sobre uma eventual nova edição do programa SAFE - instrumento financeiro da UE que disponibiliza até 150 mil milhões de euros em empréstimos a longo prazo para o setor da defesa - Kubilius comentou que não ficaria surpreendido se a Comissão Europeia avançasse com “um SAFE2”, dado o sucesso da iniciativa.

No início da audição, o comissário europeu comentou que não queria alongar-se sobre as pretensões do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a Gronelândia, território pertencente à Dinamarca, afirmando apenas: “É totalmente inaceitável”.

PUB