Governo e sindicatos divididos

Governo e sindicatos divididos

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Dez de 2008, 17:58

O Governo garante que a adesão à greve dos professores foi de 61 por cento, menos 33 pontos percentuais do que os dados dos sindicatos. A distância, contudo, vai muito além dos números: ambos dizem-se dispostos a negociar, mas acusam-se mutuamente de "intransigência".
Em conferência de imprensa, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, afirmou que as organizações sindicais ficaram "muito longe" de atingir os objectivos que tinham definido para esta paralisação, apesar de reconhecer que a adesão a este protesto foi "significativa".

    O discurso da tutela não podia ser mais diferente do que foi repetido ao longo de todo o dia pelo porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, Mário Nogueira, que se congratulou com a dimensão do protesto, garantindo ter sido a maior greve de docentes alguma vez realizada em Portugal, com uma adesão que atingiu os 94 por cento.

    Independentemente dos números desta paralisação, que reconheceu ter sido "significativa", obrigando ao encerramento de 30 por cento das escolas, o Ministério da Educação (ME) garante não ter de retirar consequências ou de mudar a postura, uma vez que a sua atitude sempre foi de "total abertura e disponibilidade" para negociar.

    Valter Lemos considerou que são os sindicatos de professores a manter uma "total intransigência" relativamente ao modelo de avaliação de desempenho, alegando que estes nunca apresentaram propostas alternativas e que abandonaram a mesa das negociações, sem nunca alterar a sua posição de princípio, "que é a de não fazer nada".

    Meia-hora depois das declarações do secretário de Estado, já Mário Nogueira devolvia as acusações, criticando a "inflexibilidade" do Governo "em discutir seja o que for".

    "Vamos mudar o modelo e essa mudança tem que ser feita num quadro de alteração do Estatuto da Carreira Docente. A negociação tem que ter tudo em aberto e é exactamente isso que o Ministério da Educação não quer", criticou o porta-voz da plataforma que reúne todos os sindicatos do sector, defendendo, mais uma vez, a suspensão do modelo definido pelo ME e o início de um processo negocial "sério" para criar um outro alternativo.

    Perante o protesto de hoje e a realização de novas acções de luta, com greves regionais já agendadas para a próxima semana, as duas confederações de associações de pais apelaram ao diálogo e ao fim do "braço-de-ferro" entre o Governo e os professores, alertando que "em dias como este" os alunos são os "mais prejudicados".

    Já no Parlamento, a oposição voltou hoje a deixar duras críticas à insistência do Executivo socialista em manter o processo de avaliação de desempenho, com o Bloco de Esquerda (BE) a classificar a paralisação dos docentes como uma "greve histórica".

    "Hoje é mais um dia em que só o orgulho de ser professor vence", salientou a deputada do BE Cecília Honório, destacando que o actual Governo não só conseguiu provocar "a maior manifestação", como "a maior greve das últimas décadas" contra um modelo de avaliação que diz ser "injusto e sem sentido".

    A suspensão do processo foi igualmente pedida pelo comunista Miguel Tiago, que considerou que o PS está cada vez mais isolado nesta matéria e salientou a dimensão do protesto, considerando que "hoje é mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um professor que não faça greve".

    Também o deputado do PSD Emídio Guerreiro insistiu na necessidade de suspender o modelo de avaliação para "devolver às escolas a tranquilidade de que precisam", enquanto o CDS-PP assinalou a grande adesão ao protesto por parte dos docentes, considerando que "a escola parou".

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