Os Mano a Mano, composto por André Santos e Bruno Santos, apresentam domingo, na Blackbox do Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, pelas 18h00, a ‘Trilogia das Sombras’, um espetáculo inspirado na obra da artista madeirense Lourdes Castro.
‘Trilogia das Sombras’ foi editado há um ano e quando o idealizaram não pensaram só na música, quiseram cruzá-la com outras áreas da arte, como explicou ao jornal Açoriano Oriental André Santos: “No disco, essa trilogia completa-se com a nossa música, com as artes plásticas de uma artista madeirense, a Carla Cabral, que fez um livro que alberga o nosso disco, e também Tolentino Mendonça que escreve o prefácio e também recita um poema que escreveu há uns anos, inspirado na Lourdes Castro”.
Em concerto ao vivo a ‘Trilogia das Sombra’ conta com a performance de Tiago Martins “a fazer teatro de sombras, inspirado também no teatro de sombras da obra de Lourdes Castro e em outros elementos da obra da artista. Também conta com umas projeções e cenário idealizados pelo Ponte Atelier”.
Houve diversos fatores que inspiraram os irmãos, naturais do Arquipélago da Madeira, na composição deste disco. Desde logo as sombras com que a artista trabalha, mas também a “parte da botânica, das flores e tudo o que era natural”, disse André Santos, contando que “num documentário, a Lourdes fala sobre os calhaus que levaram anos e séculos a ficarem moldados da forma que estão hoje em dia, todos de formas diferentes, e essa simplicidade com que ela olha para as coisas mais mundanas da vida, inspiraram-nos para fazer música”.
Outro aspeto da artista que os inspirou foi o facto de “quando tinha um prazo muito apertado para entregar um determinado projeto, ela e o marido, como estavam mais nervosos e ansiosos, para contrariar essa ansiedade, começavam a fazer tudo em ritmo lento, ou seja, andavam pela casa devagar, ponham a mesa devagar, faziam este exercício”.
Para André Santos e Bruno Santos, trabalhar o disco tendo por base uma artista da terra teve um significado especial, até porque saíram da Madeira há muito anos, embora lá vão com alguma regularidade, mas “tentamos encurtar esta distância e saudade que sentimos, trabalhando com coisas da Madeira, ou tocando os cordofones ou tocando alguma música relacionada com a Madeira”.
André Santos acrescenta que “quisemos mergulhar na obra da Lourdes e descobrimos uma pessoa incrível, inspirada e inspiradora”, frisando que trabalhar sobre uma pessoa que “tem as mesmas origens que nós e que mexe com algumas dessas origens madeirenses, foi uma aprendizagem muito grande. É um orgulho muito grande”.
Os Mano a Mano já estiveram nos Açores, nomeadamente na ilha Terceira, sendo esta a primeira vez que vêm atuar a São Miguel. Não querem criar expectativas para o concerto de domingo, porque “o que vier é bem-vindo, e é sempre melhor do que criar uma expectativa alta e sair frustrado, ou ao contrário, portanto, vamos à descoberta”.
