“Estamos apreensivos e desconfiados em relação ao acordo com o Mercosul porque temos pouca informação”, afirmou o secretário-geral da Aprolep, Carlos Neves, em resposta à Lusa.
A associação não espera alterações em relação ao milho e soja utilizados nas rações, uma vez que já não têm tarifas, mas acredita que o acordo possa ser positivo para o setor do leite, se possibilitar a exportação de queijo.
Por outro lado, a Aprolep referiu que a ligação histórica de Portugal com o Brasil pode ser uma vantagem, mas ressalvou que isso vai depender da capacidade exportadora da indústria nacional.
Contudo, avisou que é preciso que o valor chegue aos produtores “e não fique nos intermediários ou na indústria”.
Carlos Neves considerou ainda que o acordo pode ser negativo, se houver uma descida do preço da carne bovina devido às importações, lembrando que uma pequena percentagem das vendas do setor depende do mercado da carne, referindo-se à comercialização de vitelos e de vacas em fim de vida.
O secretário-geral da Aprolep sublinhou também que o setor ainda não sabe como é que as cláusulas de salvaguarda vão funcionar, insistindo que existe “muita incerteza, muita falta de informação, muita falta de confiança dos agricultores nas instituições e muita revolta”.
Por outro lado, os produtores de leite defenderam que a próxima Política Agrícola Comum (PAC) tem de manter o apoio aos agricultores e ao investimento, mas pediram a desburocratização das regras para aumentar a competitividade.
“A segurança alimentar dos europeus tem de ser estratégica e, sem proibir importações, temos de dar prioridade aos produtos locais e nacionais, que mantém viva a nossa agricultura e toda a economia do meio rural”, rematou.
O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.
Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.
