Associação Turística dos Açores tem devolver 700 mil euros de fundos europeus

A Associação Regional de Turismo (ART) dos Açores, terá de devolver quase 700 mil euros de fundos comunitários, referentes ao financiamento da operação da companhia aérea TUI, na ilha do Pico, realizada há 10 anos, confirmou fonte da associação



“A única forma que há de devolver este valor, não tendo a ART quaisquer receitas, nem atividade, é os associados assumirem, na sua quota de responsabilidade, este valor, de forma a devolvê-lo à entidade gestora do PO [Programa Operacional] 2020, explicou Marcos Couto, presidente da Direção da ART, à agência Lusa.

O empresário, que é também presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, adiantou que, na última assembleia-geral extraordinária da ART, realizada em novembro de 2025, apresentou uma proposta para que todos os associados (associações empresariais e câmaras municipais), dividissem essa despesa entre si.

“Isto não é novidade (…) para ninguém, e já há algum tempo que vimos alertando para esta situação”, disse Marcos Couto, adiantando que a divisão de despesas é a forma mais correta para resolver um problema que se arrasta há vários anos.

Em causa está um subsídio comunitário, no valor de 690 mil euros, atribuído à ART, ao abrigo da diversificação do turismo nos Açores, destinado a financiar o operador turístico TUI, que criou, em 2016, uma rota internacional direta entre a Holanda e a ilha do Pico, nos Açores, com escala em Ponta Delgada.

O objetivo do projeto era que o Pico funcionasse também como porta de entrada de turistas para outras ilhas, como o Faial e São Jorge, mas a TUI realizou apenas 16 voos para o Pico, transportando 846 turistas, acabando por suspender a operação devido à baixa taxa de ocupação nesta rota experimental.

Além dos objetivos iniciais do projeto não terem sido totalmente cumpridos, a União Europeia constatou que terá havido fracionamento da despesa e exigiu que a ART devolvesse a totalidade dos fundos comunitários que tinha recebido ao abrigo desta candidatura.

A maioria dos associados da ART (as câmaras do comércio de Angra do Heroísmo e da Horta, e as câmaras municipais das ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial e Flores), contestam, no entanto, a solução encontrada e colocam mesmo em causa a legalidade da despesa.

Vários associados enviaram ofícios à Direção da ART, após a assembleia-geral de novembro passado, a requerer comprovativos da candidatura a fundos comunitários, atas das reuniões onde essa matéria foi discutida, listagem dos sócios presentes à data da decisão e até um parecer jurídico que dê validade à proposta agora apresentada aos associados.

Apesar desta contestação, Marcos Couto entende que “não há outra forma de resolver o assunto” e lembra que aguarda apenas a conclusão deste caso, para poder avançar com o processo de extinção da ART, associação que não tem tido qualquer atividade nos últimos anos.

Recorde-se que a ART, instituição sem fins lucrativos, criada em 2003, foi multada pelo Tribunal de Contas (TdC), por estar quatro anos (de 2021 a 2024) sem prestar contas da sua atividade, apesar de estar “sujeita ao dever de elaborar e prestar as respetivas contas”, tal como é exigido a todos os organismos públicos.

O presidente da Direção da ART justificou esta situação com a “inatividade” da associação, com “ausência” de pareceres do Conselho Fiscal, e com o facto de ter perdido a licença de software de contabilidade, situação que “impossibilitou” a elaboração e submissão de contas.

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