Empresas convidadas a procurar a ajuda do Ministério

Empresas convidadas a procurar a ajuda do Ministério

 

Lusa / AO online   Economia   5 de Nov de 2007, 16:41

O ministro da Economia, Manuel Pinho, convidou as empresas portuguesas em "dificuldades" a procurarem a intermediação do Governo na procura de soluções para a sua viabilização.
Falando no final de uma visita à empresa têxtil Maconde (Vila do Conde) - que na semana passada assinou, com o acompanhamento do Executivo, um acordo de viabilização com a banca - Manuel Pinho admitiu que nem todos os casos têm um desfecho positivo, mas salientou que "a função do Ministério da Economia é estabelecer as pontes entre as empresas, os trabalhadores e os credores".

"Em todos os casos em que atravessam dificuldades, as empresas podem bater à porta do ministério, que tem a obrigação de fazer tudo o que está ao seu alcance [para viabilizar a empresa]", afirmou o ministro.

"Nalguns casos resulta, noutros não", acrescentou Pinho, admitindo que "também é o mercado a determinar a situação".

Relativamente à Maconde, cujo passivo de 32 milhões de euros foi sanado através de um acordo de financiamento com um sindicato bancário - o ministro afirmou ter agora "um futuro muito positivo à sua frente".

"Esteve num processo difícil em que todos colaborámos para que fosse possível resolver, [pois] é uma grande empresa portuguesa que dá emprego a centenas de trabalhadores", sustentou.

Contudo, continuou, "a empresa tem agora o seu passivo financeiro saneado, uma administração dinâmica e um bom futuro à sua frente", tendo sido possível garantir a manutenção de 500 postos de trabalho num sector "sujeito a imensa concorrência de todo o mundo".

Adiantando que a intervenção do Governo neste caso "foi essencialmente estabelecer pontes", Manuel Pinho explicou que, "muitas vezes, o diálogo quebra-se entre a empresa e os credores", levando a situações insustentáveis.

Questionado sobre se o Governo tem em mãos mais casos de empresas em situação difícil, o ministro revelou não estar a acompanhar, "felizmente", nenhum caso "muito importante".

Em declarações aos jornalistas no âmbito da visita do ministro à empresa, os dois novos administradores da empresa - que, segundo as condições impostoas pelo sindicato bancário, adquiriram a unidade industrial da Maconde (Macvila) aos anteriores accionistas - manifestaram-se também optimistas quanto ao futuro da unidade.

"Vamos agora fazer arrancar o negócio com toda a força", afirmou Luísa Rocha, quadro da empresa há 20 anos e que, com José António de Barros Amorim (colaborador do grupo há mais de 30 anos), adquiriu pelo valor simbólico de um euro (acrescido de um aumento de capital de 500 mil euros, para 1,382 milhões de euros) a única unidade industrial restante do grupo Maconde.

Segundo José Amorim, o objectivo é, no primeiro ano de actividade sob a nova gestão, aumentar dos actuais 7/8 milhões para 20 milhões de euros a facturação da Macvila, e alcançar um resultado positivo de 70 a 80 mil euros.

Dentro de "dois a três anos" a nova administração espera vir a atingir o volume de negócios dos tempos áureos da empresa, na ordem dos 36 a 40 milhões de euros.

Conforme adiantaram os gestores, a nova estratégia passará por concentrar atenções e recursos apenas na unidade industrial da Macvila em Vila do Conde, não "dispersando interesses", por exemplo, para a área do retalho, como no passado.

A Escandinávia, Europa Central e EUA deverão manter-se como os principais mercados de exportação - que absorve, aliás, 95 por cento da produção da empresa - pretendendo a nova administração procurar também novos mercados, novos clientes e novos nichos de mercado.

Apesar da "inércia" vivida ao longo do último meio ano, dada a demora na formalização do acordo com a banca, os gestores garantem que os principais clientes, entre os quais várias marcas internacionais de renome, se mantêm.

No âmbito do acordo celebrado com a banca, e uma vez que o património da empresa foi entregue para pagar a respectiva dívida, os novos gestores poderão permanecer por um período mínimo de dois anos, que poderá ser alargado, nas actuais instalações, tendo depois direito de preferência na sua eventual aquisição.

Uma vontade assumida pelos novos administradores que, se tal não for possível, garantem pretender manter-se na região de Vila do Conde/Póvoa de Varzim, de onde são naturais a quase totalidade dos trabalhadores.

A Maconde, que nasceu do investimento de um grupo estrangeiro em Vila do Conde, em 1969, chegou a empregar mais de 2.000 trabalhadores, em cinco fábricas, mas em 2002 começou a encerrar unidades, as últimas das quais no ano passado, em Braga e na Póvoa do Varzim.

A única unidade restante do grupo, de Vila do Conde, ainda é a maior fábrica têxtil da região, empregando cerca de 500 funcionários.

Em 2006, no âmbito de um plano de reestruturação liderado pelo então presidente do grupo Mário Pais de Sousa (ex-Vulcano), a Maconde decidiu alienar as lojas Macmoda, Tribo e Zona Franca a três insígnias do grupo Sonae.

Depois da saída de Pais de Sousa em Março deste ano, a empresa contou com a colaboração da gestora Maria Cândida Morais (ex-Jornal de Notícias) na elaboração de um novo plano de reestruturação.

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