Convento algarvio transformado em hotel de luxo

Convento algarvio transformado em hotel de luxo

 

Cecília Malheiro - Lusa / AO online   Economia   19 de Out de 2007, 12:13

Quem desce da Foia, a região mais elevada do Algarve, a caminho da vila de Monchique avista ao longe, no meio de uma densa floresta, uma espécie de palácio onde em tempos viveram reis e princesas.
Trata-se afinal das ruínas do Convento de Nossa Senhora do Desterro, de arquitectura Manuelina, fundado em 1631 por Pêro da Silva, um vice-rei da Índia, passando em 1632 para a posse da Ordem Terceira de S. Francisco, e que no terramoto de 1755 sofreu graves danos estruturais.

Hoje em ruínas e habitado por uma família de sete elementos, com os animais domésticos em capoeiras erguidas no claustro, o imóvel do século XVII e classificado de interesse municipal vai transformar-se numa unidade hoteleira de luxo e charme.

O projecto aprovado em 2004 pelo antigo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), e que conta com um investimento de cinco milhões de euros, manterá a fachada do convento, terá dois pisos e vai contemplar 24 quartos ou seja 28 camas, entre eles a destacar duas suites e dois quartos para pessoas com mobilidade condicionada.

No piso zero ficará a recepção, o espaço de culto religioso, espaço para exposições, sacristia, sala de estar pequena e sala de estar grande ligada à sala de refeições e pequenos-almoços e uma sala de leitura. A cozinha, instalações sanitárias, sala de refeições para os funcionários também se localizam no piso térreo.

No primeiro piso estão projectados 13 quartos duplos, uma suite e um quarto para pessoas com dificuldades de mobilidade, zona de estar/recepção, gabinete da administração, entrada principal e zona de vários serviços.

O piso dois terá sete quartos, sala de estar com apoio de bar, copa de piso.

Na área exterior do Convento da Nossa Senhora do Desterro está projectada uma piscina, a recuperação dos dois tanques originais, uma zona técnica e casas de banho.

"Uma vez recuperado, o Convento de Nossa Senhora do Desterro, aliado à panorâmica que daí de desfruta e à sua área envolvente, tornam este local num obrigatório ponto de visita, de elevado interesse sócio-cultural, turístico e económico para Monchique e para o Algarve", defende a autarquia.

A opinião da autarquia é partilhada por um dos inquilinos actuais do convento em ruínas. Vidaul Gonçalves, cicerone voluntário do templo arruinado assegura que a estrutura "é quase o melhor negócio de Monchique".

"Se a Câmara gastar aqui dinheiro fica uma coisa boa para Monchique. No Verão há muitos turistas", salienta Vidaul, que mora no mosteiro, faz dia 01 de Novembro, 32 anos.

Segundo Vidaul, o convento dos frades franciscanos foi mais tarde vendido ao "capitão guerreiro" que tinha duas filhas - Teresa e Sofia Guerreio -, que, por sua vez arrendou a terra aos pais de Vidaul, também moradores actualmente no Convento.

Posteriormente o capitão da tropa, que gostava de passar férias no mosteiro, vendeu-o à Câmara de Monchique.

Segundo Carlos Tuta, a autarquia iniciou a compra dos terrenos em 1983 e em 1985 já havia comprado várias parcelas do terreno. Em 2003 abriu-se o concurso público internacional, para obras de recuperação.
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