BCP/BPI: Bancos perderam cerca de 900 milhões de euros com negociações

BCP/BPI: Bancos perderam cerca de 900 milhões de euros com negociações

 

Lusa / Ao online   Economia   25 de Nov de 2007, 21:20

O BCP e o BPI perderam quase 900 milhões de euros, desde que a instituição liderada por Fernando Ulrich propôs uma fusão com o banco presidido por Filipe Pinhal, há exactamente um mês.
    A 25 de Outubro, quando o Banco BPI propôs a fusão ao Banco Comercial Português (BCP), as duas instituições tinham uma capitalização bolsista de 16,4 mil milhões de euros.

    A capitalização bolsista - número de acções multiplicado pela cotação - do BCP atingiu 11,5 mil milhões de euros no dia em que foi anunciada a proposta, com cada acção a valer 3,19 euros.

    O valor do BPI encontrava-se em 4,9 mil milhões de euros, com os títulos a valerem 6,51 euros.

    Em conjunto, os dois bancos tornar-se-iam a maior empresa cotada na bolsa portuguesa, superando a EDP - Energias de Portugal, até agora a maior empresa cotada, em cerca de 500 milhões de euros (valores de 25 de Novembro).

    Só que, durante este mês de negociações assistiu-se à erosão do valor das duas instituições financeiras, especialmente do BPI, que perderam, em conjunto, cerca de 900 milhões de euros, mesmo depois dos movimentos de alta da última semana, quando foi noticiada a proximidade de um acordo.

    Na sexta-feira, o BPI fechou a cotar nos 5,57 euros, com uma capitalização bolsista da ordem dos 4,2 mil milhões de euros, ou seja, valendo menos 800 milhões de euros do que há um mês.

    O BCP perdeu, mas menos, fechando a semana com cada título a valer 3,17 euros, o que avalia o banco em cerca de 11,4 mil milhões de euros, apenas menos 100 milhões de euros do que o verificado a 25 de Outubro.

    De notar que o BPI oferecia 0,5 acções suas por cada acção do BCP, o que traduz um rácio de troca de um título do BPI por cada dois do BCP.

    No encerramento do mercado, a 23 de Novembro, esse rácio já tinha caído de 2 para 1,75.

    Entre a data de apresentação da proposta inicial do BPI e a última reunião de negociação, realizada hoje, decorreu exactamente um mês, marcado, na bolsa, pela alteração dos termos de troca para um valor em redor de 1,8, o que BCP considera ser a relação histórica entre os dois bancos.

    Esta constante da relação de valor entre os dois bancos, definida pelo mercado, terá feito com que o rácio de troca, uma das principais questões antes de se iniciarem as negociações, não tivesse sido, afinal, o que fez abortar o projecto de fusão.

    A agência Lusa apurou, de fontes ligadas ao processo, que outras duas questões inicialmente apontadas como de muito difícil entendimento terão estado na base da ruptura: a escolha dos membros executivos da administração e o limite para as participações dos maiores accionistas.

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