66 a 70 por cento dos Enfermeiros em greve

66 a 70 por cento dos Enfermeiros em greve

 

Lusa / AO online   Nacional   30 de Nov de 2007, 15:58

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) anunciou esta sexta-feira que entre 66 a 70 por cento destes profissionais fizeram greve durante o turno da manhã e denunciou situações de coaçcão sobre os enfermeiros para minimizarem os dados de adesão a este protesto.
"Faltam ainda os dados de alguns, mas poucos, hospitais. Até ao momento podemos avançar com uma adesão [global] de pelo menos 66 a 70 por cento dos enfermeiros", afirmou à agência Lusa Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros.

Segundo dados do sindicato, o Hospital de São José, em Lisboa, registou uma adesão de 100 por cento e a Maternidade Alfredo da Costa, também na capital, de 65,3 por cento.

O segundo hospital com adesão total à greve foi o do Montijo, e perto disso esteve o de Anadia, com 98,8 por cento. Na unidade de Vila Franca de Xira a adesão foi de 60,6 por cento e no Barreiro 93,3 por cento.

"O cumprimento dos serviços mínimos tem permitido manter a funcionalidade dos hospitais, como é suposto. os maiores problemas poderão ocorrer nas consultas externas [dos hospitais] e, talvez, nos centros de saúde", adiantou Guadalupe Simões.

O sindicato dos enfermeiros denunciou situações de "coacção" sobre os enfermeiros: "Ameaçaram enfermeiros de que se fizessem greve podiam não ver os contratos renovados. isto aconteceu em todo o país", adiantou.

Outra forma de coacção, acrescentou, foi usarem o modelo de controlo de pontualidade para alterarem os dados de adesão à greve.

"Os enfermeiros deslocam-se na mesma ao local de trabalho, para decidirem quem assume os serviços mínimos. Queriam obrigá-los a picar o ponto, para contar a sua entrada. E no Alentejo até queriam que picassem o ponto ontem [quinta-feira] como se fosse hoje", afirmou Guadalupe Simões.

O Sindicato dos Enfermeiros explica que a sua adesão tem por base a rejeição de um governo que declarou guerra ao movimento sindical em geral e aos enfermeiros em particular e que o combate ao défice seja feito à custa dos salários dos enfermeiros.

Na lista de propostas está o pedido para que o Governo volte a negociar o valor do aumento salarial anual, a negociação da carreira de enfermagem, conclusão do acordo colectivo de trabalho aplicável às EPE, concretização do direito à progressão na carreira e criação e estabilidade de emprego.

Para o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, os objectivos da greve são o aumento do poder de compra e contra a redução dos salários.

Num processo, disse, em que houve "flexibilidade negocial da Frente Comum", "o Governo manteve-se imutável e autista e o governo tem outras fontes de receita para repor o equilíbrio orçamental".

O SEP quer ainda a concretização do direito à progressão nas carreiras, segundo as novas regras que restringem a possibilidade de progressão e/ou receberem prémios a cinco por cento dos trabalhadores, e a admissão e estabilidade de empregos dos enfermeiros.

A greve da Função Pública, que decorrerá entre as 00:00 e as 24:00 de sexta-feira, foi convocada pela Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) e Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública. 

A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 09 e 10 de Novembro de 2006 contra o aumento salarial de 1,5 por cento que o Governo decidiu aplicar, apesar de a inflação prevista nessa altura ser de 2,1 por cento.

Em 2006 as três estruturas sindicais fizeram outra greve conjunta a 06 de Julho contra o novo regime de mobilidade dos funcionários públicos.

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