Romagens aos cemitérios ameaçadas pelo aumento das cremações


 

Lusa/AO   Nacional   2 de Nov de 2007, 05:14

Hoje é Dia de Finados, uma data em que tradicionalmente as pessoas se deslocam aos cemitérios para visitar as sepulturas e os jazigos dos seus familiares ou amigos já desaparecidos.
Uma vez que o Dia de Finados, 02 de Novembro, é um dia de semana, as romagens aos cemitérios são normalmente antecipadas para o feriado de Todos os Santos ou, como este ano, adiadas para o fim-de-semana.

    A data, uma festividade da Igreja Católica, pretende celebrar a memória dos que já morreram e através dela testemunhar a sua fé numa vida para além da morte.

    O Dia de Finados e sobretudo o feriado de Todos os Santos são aproveitados para visitas aos cemitérios, com limpeza e colocação de flores nas campas e nos jazigos, uma tradição que começa a ser ameaçada pelo número crescente de cremações, sobretudo em Lisboa.

    As cremações representam já quase metade dos funerais realizados em Lisboa, uma prática que mais que quadruplicou na última década, segundo dados avançados à agência Lusa pela Câmara de Lisboa.

    "A opção pela cremação, enquanto prática funerária, tornou-se uma alternativa em crescente expansão quanto ao destino dos restos mortais, quer se trate de cadáveres quer de ossadas", disse à Lusa uma fonte da Divisão de Gestão Cemiterial.

    Os dados indicam que dos 4.769 funerais realizados até Setembro deste ano, 2.089 foram cremações (43,8 por cento).

    Em 1997 foram realizados em Lisboa 9.355 funerais, dos quais 846 (9 por cento) foram cremações, um número que subiu, em 2006, para 3.570, representando 40,6 por cento do total das 8.791 inumações realizadas nesse ano.

    Para Sérgio Braz, da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL), o aumento da cremação, não apenas em Lisboa, mas também a nível nacional, deve-se à "mudança de mentalidades".

    "A mentalidade das pessoas está a mudar e as novas gerações recorrem mais a esta prática", adiantou Sérgio Braz.

    A falta de espaço cemiterial, os ritmos de vida, e a permissão da Igreja para esta prática também poderão ter contribuído para a subida da cremação, acrescentou.

    Para a socióloga Isabel Moço "os ritmos de vida actuais implicaram algumas alterações nos ritos e isso teve implicações no próprio imaginário das pessoas e na forma como encaram a morte", principalmente nas grandes cidades.

    "No interior do país os rituais mudam com menos frequência e há alguma tendência para a continuação dos moldes tradicionais do ritual", adiantou à Lusa a socióloga, lembrando que a cremação foi rejeitada como opção durante muito tempo na sociedade portuguesa.

    Actualmente, há uma tendência para fazer um afastamento mais rápido dos mortos e a cremação, sendo opção da família de ficar com as cinzas ou de as depositar num local próprio, é uma forma de desmaterializar uma relação, sustentou.
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