Açoriano Oriental
PR francês convoca reunião de crise após mortes em tumultos na Nova Caledónia

O Presidente da França convocou uma reunião de crise sobre a situação no território francês da Nova Caledónia, no Pacífico Sul, onde duas foram mortas durante tumultos, disseram fontes oficiais em Paris.

PR francês convoca reunião de crise após mortes em tumultos na Nova Caledónia

Autor: Lusa/AO Online

Emmanuel Macron cancelou uma viagem ao noroeste da França para presidir a uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional ainda durante a manhã, em Paris, segundo a agência francesa AFP.

O representante do Governo francês na Nova Caledónia, o alto-comissário Louis Le Franc, confirmou a morte de duas pessoas nas últimas horas nos tumultos que têm abalado o território desde segunda-feira.

Os protestos foram desencadeados pela aprovação de um projeto de reforma constitucional pela Assembleia Nacional francesa, na terça-feira à noite, rejeitado pelo movimento pró-independência.

A primeira vítima dos motins, os mais graves desde a década de 1980, foi morta a tiro “por alguém que queria certamente defender-se”, anunciou Le Franc.

Uma segunda pessoa também morreu durante a noite, confirmou mais tarde Le Franc, sem dar mais pormenores.

“Estamos numa situação que eu descreveria como insurrecional”, afirmou o representante francÊs no território colonizado em meados do século XIX.

Centenas de pessoas ficaram feridas, incluindo “cerca de uma centena” de polícias e gendarmes, segundo o Ministro do Interior francês, Gérald Darmanin.

Emmanuel Macron denunciou anteriormente a violência na Nova Caledónia como “ultrajante e inaceitável”.

Apesar do recolher obrigatório em Numeá, principal cidade do território, a violência recomeçou ao cair da noite de terça-feira, com numerosos incêndios, pilhagens e trocas de tiros, incluindo contra as forças da ordem.

Louis Le Franc relatou “trocas de tiros entre desordeiros e grupos de defesa civil em Numeá e Paita”.

Duas pessoas foram também feridas a tiro em Ducos, a noroeste de Numeá, “por um proprietário de uma garagem que estava a proteger o seu negócio”, disse o ministro dos Serviços Públicos do governo local, Vaimu'a Muliava.

“Deixo-vos a imaginar o que acontecerá se as milícias começarem a disparar contra pessoas armadas”, insistiu Le Franc, referindo-se a “uma espiral mortal”.

Um residente de 42 anos, que a AFP identificou apenas por Sébastien, disse que estava a “proteger a cidade”.

“A polícia está sobrecarregada, por isso tentamos proteger-nos e, assim que as coisas aquecem, avisamos a polícia (...). Estamos a tentar fazer com que cada bairro tenha a sua própria milícia”, contou.

A Assembleia Nacional francesa adotou o texto que alarga o eleitorado no arquipélago por 351 votos contra 153, provocando a ira do movimento pró-independência.

A reforma precisa ainda de três quintos dos votos dos deputados reunidos no Congresso em Versalhes.

O objetivo é alargar o eleitorado para as eleições provinciais a todos os naturais de Nova Caledónia e residentes há pelo menos 10 anos.

Os apoiantes da independência consideram que o alargamento pode “marginalizar ainda mais o povo indígena kanak”, que constitui 41% da população.

O presidente do governo pró-independência do território, Louis Mapou, disse hoje que tinha tomado nota da reforma votada em Paris, mas lamentou uma medida que disse ter “um impacto grave” na gestão dos assuntos da Nova Caledónia.

“Apelamos à calma”, acrescentou.

A principal figura do campo da não-independência, a antiga secretária de Estado Sonia Backès, apelou a Macron para que declarasse o estado de emergência.

“Estamos em estado de guerra civil”, lamentou, citada pela AFP.

A Nova Caledónia é um arquipélago situado na Melanésia, a cerca de 1.200 quilómetros a leste da Austrália e a 16.000 quilómetros de Paris, com pouco mais de 270.000 habitantes.


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