Plano de prevenção de dependências dos Açores quer envolver várias entidades

O Governo Regional dos Açores quer envolver entidades de diversos setores, desde a educação ao desporto, na prevenção do consumo de dependências, que apresenta números “preocupantes” na região, anunciou hoje o secretário regional da Saúde.



“Entendemos que este plano deve ser implementado junto das pessoas e junto de todos os meios nos quais há um maior risco e prova de consumo. A Educação é decisiva, todos temos essa consciência. É nas idades mais jovens que é importante intervir no sentido da prevenção”, avançou o titular da pasta da Saúde, Clélio Meneses, em Angra do Heroísmo, na apresentação da proposta de Plano de Prevenção das Dependências para o período entre 2021 e 2024, que ainda terá de ser aprovada pelo Parlamento açoriano.

Segundo Clélio Meneses, o consumo de substâncias aditivas nos Açores é preocupante e obriga a passar das "palavras políticas" para "uma ação concreta”.

“Para combater este problema tem de ser através da prevenção e entrando pela sociedade dentro”, frisou.

Em 2017, “os Açores foram a região do país com a mais alta taxa de incidência de consumo de substâncias aditivas e aquela que mais cresceu”.

“Em 2012, representava 3,3% da população e em 2016/2017 já representava 7,4% da população. Estamos perante um crescimento significativo”, frisou o governante, referindo-se a dados segundo dados do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Em relação à faixa etária entre os 13 e os 18 anos, dados de 2019, do SICAD, colocam os Açores acima da média nacional, tanto no consumo ao longo da vida (17,3% contra 15% a nível nacional), como no consumo nos últimos 12 meses (15,2% contra 13,5% a nível nacional).

A região superou os níveis nacionais no consumo de canábis (14,1%), de drogas em geral (4,9%), de cocaína (3,4%), de crack (1,6%) e de heroína (1,2%).

Entre outras medidas, o plano hoje apresentado integra várias ações de formação e sensibilização em contexto escolar e desportivo, mas também em contexto de diversão noturna e junto de associações culturais e juvenis, como filarmónicas e grupos de escuteiros.

“Este plano tem a particularidade que me parece que é decisiva para o seu sucesso. Não é um plano meramente conceptual, prevê ações concretas, medidas concretas, datas e entidades locais”, sublinhou Clélio Meneses.

Está prevista também uma maior colaboração com o poder local, que está mais próximo das populações.

“É nas freguesias, através dos seus presidentes, que se percebe a realidade local de uma forma mais próxima. São muitos os presidentes de junta que nos procuram e nos contactam com dramas com que não sabem como agir”, explicou o secretário regional da Saúde.

Ouvido à margem da apresentação, o diretor regional da Prevenção e Combate às Dependências, Pedro Fins, disse que a ilha de São Miguel é a que a causa maior “preocupação”, sobretudo, devido a um crescimento de consumo de drogas sintéticas.

“Houve um grande ‘boom’ nesta fase de confinamento, porque nas drogas ditas clássicas houve um maior controlo fronteiriço e dificuldade de chegarem. Sendo as drogas sintéticas de mais fácil aquisição, naturalmente houve um aumento, que nos preocupa imenso, que nos é reportado por vários presidentes de junta”, adiantou.

O diretor regional considerou, por isso, que o plano deve ser implementado “o mais rapidamente possível”, para intervir, sobretudo, junto dos mais jovens.

“É urgente começarmos já a trabalhar em consonância com outras direções regionais, para termos uma ação conjunta, de modo a que tenhamos um maior impacto junto da população”, apontou.

O plano arrancará com comissões para a dissuasão das toxicodependências em São Miguel, Terceira e Faial, mas o executivo açoriano pretende alargar estas equipas a mais ilhas.

“Temos de aguardar e ver como é que se pode equacionar e operacionalizar. Seria benéfico existir em todas as ilhas. É uma grande pretensão e é para lá que caminhamos, embora tenhamos consciência de que existe um longo trabalho pela frente”, revelou Pedro Fins.



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Região conta com mais de 400 empresas de animação turística licenciadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, em resposta a críticas da AREAT, que alertou para a atividade ilegal e a falta de fiscalização no setor