Zimbabué

Mugabe vai formar governo apesar de recusa da oposição


 

Lusa/AO online   Internacional   28 de Ago de 2008, 11:33

O Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, vai formar um governo apesar da discórdia da oposição que recusa participar num Executivo antes de concluído o acordo de partilha de poder, confirmou o ministro para a Informação.
"Nada nos impedirá de formar um novo governo", adiantou o ministro Bright Matonga, corroborando declarações surgidas quarta-feira na imprensa.

    "Temos que seguir em frente, temos de ter a certeza de que o Zimbabué vai recuperar o seu estatuto, temos de nos concentrar na economia", disse Matonga, em entrevista à rádio pública SA FM.

    Quarta-feira, Mugabe afirmou que vai formar um governo no Zimbabué apesar da ausência de um acordo de partilha do poder com a oposição.

    "Em breve iremos nomear um governo", garantiu o Presidente ao diário estatal zimbabueano Herald, um dia depois da sessão inaugural do Parlamento, onde Mugabe foi apupado pelos parlamentares do Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

    "Aparentemente, o MDC não quer fazer parte [do governo]", adiantou o Presidente eleito numa segunda volta eleitoral contestada e na ausência do seu rival do MDC, Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta.

    De imediato, as duas formações da oposição do Zimbabué recusaram participar num governo formado por Robert Mugabe enquanto as negociações para a partilha de poder não estiverem concluídas.

    "É evidente que se [Mugabe] quer anunciar um novo governo isso será considerado uma declaração de guerra contra o povo", afirmou Nelson Chamisa, porta-voz do MDC.

    Mugabe "pensa que nos está a pressionar quando diz que vai formar um governo em breve. Mas nós recusamos qualquer participação num governo que seja em benefício pessoal", afirmou Chamisa.

    "Temos o tempo do nosso lado, temos o povo connosco", advertiu.

    A facção dissidente do MDC que, com os seus 10 deputados eleitos, pode fazer maioria no Parlamento com o MDC ou, aliando-se à União Nacional Africana-Frente Patriótica (ZANU-PF), manter maioritário o partido de Mugabe, recusou também fazer parte do governo, apesar de ter havido um acordo, numa primeira fase, com o chefe de Estado, durante as negociações.

    Dos 210 deputados, 100 pertencem ao MDC, 99 à ZANU-PF e 10 à facção dissidente do MDC, havendo ainda um independente.

    "O que nós esperamos é a conclusão do diálogo e a formação de um governo de transição com Mugabe e Tsvangirai", disse o porta-voz da facção dissidente do MDC, Edwin Mushoriwa.

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