Idosos trabalham à noite para poder pagar as despesas do cônjuge doente

Idosos trabalham à noite para poder pagar as despesas do cônjuge doente

 

Lusa/AO Online   Nacional   19 de Set de 2013, 08:25

O presidente da Alzheimer Portugal alertou hoje que há idosos com 80 anos a trabalhar à noite para poder pagar as despesas diárias, agravadas com a situação de demência dos cônjuges.

 

João Carneiro da Silva, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer (21 de setembro), contou que há cuidadores de doentes a viverem “situações mesmo graves”, que a associação não pode abandonar.

Apontou o caso de um idoso com a mulher acamada que, aos 80 anos, “tem de trabalhar à noite para ter um complemento sobre a sua reforma para poder pagar as despesas, nomeadamente a renda de casa”.

Estas situações vão sobrecarregando a associação que também atravessa momentos difíceis devido à atual conjuntura económica do país.

“Fizemos investimentos pesados para uma associação desta natureza com ónus de pagamentos de juros. Isto ligado a uma limitação de receitas, que normalmente eram propiciadas por entidades privadas e entidades públicas, leva-nos a ter que fazer milagres”, disse o presidente da associação.

Milagres porque “não podemos entrar numa corrida de dispensa de pessoal, como se faz, infelizmente, em muitos sítios, porque temos compromissos contratualizados com a Segurança Social e com outras instituições e que se não tivermos pessoal não podemos manter esses contratos e não temos maneira de ajudar os doentes”, explicou.

“É uma gestão muito difícil porque 70% dos nossos encargos são com pessoal”, disse, desabafando: “Estamos numa crise de sustentação parecida com o país”.

Por outro lado, há comparticipações de utentes em centros de dia e apoio domiciliário muito baixas, mas que não podem ser aumentadas devido às graves dificuldades económicas que atravessam.

“As comparticipações que são devidas aos familiares baixaram radicalmente. Temos comparticipações ridículas, porque são muito pequenas, mas ligadas à situação social e económica das pessoas são muito pesadas para elas”, adiantou.

Quando a associação pretende “melhorar essas comparticipações as pessoas descrevem o quadro de penúria [em que vivem], o que limita qualquer hipótese de alterar esses valores”.

“Não podemos abandonar essas pessoas e continuamos a prestar o mesmo serviço”, mas estas situações, que estão a “aumentar significativamente”, vão “sobrecarregando a instituição porque os custos reais desta prestação de serviço é muito elevada, porque se baseia em pessoal”.

Neste momento, “é muito difícil sustentar uma associação com 25 anos e que tem um orçamento entre apoios e serviços que presta que já ultrapassa um milhão de euros”, frisou, ressalvado que esta situação atinge outras instituições do país.

Para a gerir é necessário um “cuidado extremo”: “Estamos diariamente a observar a tesouraria para saber se podemos assumir no mês seguinte os encargos com os doentes, com as entidades com quem temos protocolo e os trabalhadores da associação”.

A Alzheimer Portugal foi fundada em 1988 com o objetivo de promover a qualidade de vida dos doentes, dos seus familiares e cuidadores, contando atualmente com mais de 9.000 associados.

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.