Açoriano Oriental
Governo dos Açores vai criar projeto para dar formação a famílias carenciadas

O Governo Regional dos Açores vai implementar, em 2022, um projeto de formação para famílias carenciadas, com recurso a uma verba de 300 mil euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), revelou o vice-presidente.

Governo dos Açores vai criar projeto para dar formação a famílias carenciadas

Autor: Lusa/AO Online

“Com recurso a verbas do PRR, as famílias açorianas abrangidas pela ação social terão, a partir de 2022, formação contínua, que proporcionará competências básicas complementares ao nível, por exemplo, da procura ativa de emprego e da gestão de economia doméstica”, avançou o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, que tutela a Solidariedade Social.

O governante falava em Angra do Heroísmo, na inauguração da requalificação de uma escola em São João de Deus, onde decorre um projeto de apoio extracurricular para crianças e jovens desfavorecidos desenvolvido pela Cáritas da Ilha Terceira.

Quanto ao projeto de formação para famílias carenciadas, questionado pelos jornalistas, à margem do evento, Artur Lima disse que terá início em 2022, contando com uma verba de “cerca de 300 mil euros” no primeiro ano de implementação.

A estrutura do projeto ainda não está definida, mas o vice-presidente do executivo açoriano defendeu que será “estruturante para combater o abandono escolar” e para “promover a literacia, quer das famílias, quer das crianças”.

“Não basta dizer que tem de se sair do rendimento mínimo. Nós queremos que as pessoas saiam do rendimento mínimo, que quebrem o ciclo de pobreza, mas que sejam ajudadas a procurar um emprego, a qualificar-se, a entrar na vida ativa, que possam dar melhores condições de educação aos seus filhos, que evitem o abandono escolar”, frisou.

Artur Lima disse que a pobreza não se combate "apenas com dinheiro", sendo necessário intervir no "núcleo familiar", para que "as famílias possam qualificar os seus filhos e para que eles possam ser crianças felizes, adultos realizados e famílias mais estruturadas”.

O trabalho desenvolvido pela Cáritas da Ilha Terceira com o projeto “Animação de Rua”, que acolhe 50 crianças e jovens, em Angra do Heroísmo, é também um exemplo de “trabalho em rede e de proximidade”, segundo o vice-presidente do executivo açoriano.

“Motivam estas crianças para a mudança, estimulam o seu desenvolvimento pessoal e a sua inserção social. Ao mesmo tempo, consolidam e fortalecem a comunidade onde desenvolvem o seu trabalho. Este projeto da Cáritas é o espelho daquilo que a sociedade em geral deve procurar fazer”, apontou.

Desde 2004 que a Cáritas da Ilha Terceira promove o projeto “Animação de Rua” no edifício da antiga escola de São João de Deus, em Angra do Heroísmo.

Com as obras de requalificação e ampliação do espaço, orçadas em 170 mil euros, o projeto tem agora capacidade para duplicar o número de crianças e jovens que o podem frequentar, revelou o presidente da instituição, Luís Pedro Pereira.

“A nossa capacidade vai até 100. É frequentado por 50, mas terá capacidade para mais 50”, avançou, alegando que o projeto pode ser alargado a crianças de outras localidades.

Segundo Luís Pedro Pereira, o projeto, que conta com duas animadoras e uma assistente social, desenvolve atividades como “ateliês de culinária” e “práticas de educação física”, para a promover “hábitos de vida saudáveis”.

“É um espaço de partilha, de conhecimento, em que eles podem adquirir competências académicas, mas sobretudo tentar que não haja comportamentos desviantes. É esse o grande objetivo da valência da ‘Animação de Rua’ da Cáritas da Ilha Terceira”, salientou.

Com mais espaço nas instalações, a instituição prevê também começar a trabalhar “algumas competências pessoais e sociais” das famílias.


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