Cinema

Documentário finlandês mostra experiência de vida sem petróleo e derivados


 

Lusa/AO   Internacional   10 de Nov de 2008, 05:17

“Recipes for Disaster (Receitas para o Desastre)” é o título do documentário que John Webster filmou durante um ano sobre o rígido plano que a sua família seguiu para não consumir nada (ou quase) envolvendo a utilização de petróleo.
O resultado - um filme rodado num registo cómico mas contundente, à semelhança do realizador norte-americano Michael Moore - será exibido no Festival de Cinema do Amazonas, competindo na secção de documentários internacionais.

    O documentário insiste na defesa da acção individual para travar a degradação do planeta Terra, em concreto com as crescentes emissões de dióxido de carbono na atmosfera.

    Esta espécie de ensaio geral da extinção dos recursos naturais começa com uma afirmação em tom irónico: “Orgulhamo-nos de ser seres razoáveis, de planear o nosso futuro, de saber que os nossos actos têm consequências”, sustenta o finlandês Webster, de 41 anos, natural de Helsínquia, que já realizou outros documentários, como “What Comes Around” (2005).

    E começa então a apresentar os dados que conduziram a tão drástica decisão: um cidadão finlandês lança uma média de 13 mil quilos de dióxido de carbono na atmosfera num ano, uma quantidade relativamente baixa em comparação com os Estados Unidos, cuja poluição “per capita” ascende a 30 mil quilos por ano.

    Webster critica a falta de consciencialização com uma pergunta: “Pode-se dizer que somos inocentemente felizes, ‘como pode isso causar danos ao mundo?’ e, a partir daí, convence-se a família a, por um lado, falar inglês durante um ano, para dar um aspecto mais comercial à experiência, e, sobretudo, a cumprir o plano ecológico.

    Gasolina e plástico são os principais elementos a banir deste plano vital que a família Webster, de forma experimental, começou a fazer um belo dia e, desde então, os obstáculos não pararam de surgir.

    Além de usar a bicicleta em vez do automóvel ou de pedir sacos de papel e não de plástico no supermercado, no dia-a-dia do homem do primeiro mundo, o petróleo revela-se como uma espécie de fio condutor e o entusiasmo dos “protagonistas desta história” vai sendo minado, a pouco e pouco.

    No final do documentário, Webster questiona-se: “O que é que conseguimos, além de pôr a nossa felicidade em risco?”.

    Para não usar pasta de dentes, cuja embalagem é feita com plástico, entre outros materiais, uma receita caseira de dentífrico causou aftas nos seus filhos; uma viagem familiar a Itália fez-se de comboio, em vez de avião; já para não falar da mulher de Webster, que desde o início se recusou a falar inglês e transformou a ameaça de divórcio num inesperado protagonista do documentário.

    O processo de renúncia ao petróleo começa com a compra de um automóvel que funciona com um combustível vegetal, mas como comprar brinquedos para as crianças no Natal sem recorrer ao plástico? E como rodar um documentário sem que o revestimento da própria câmara seja de plástico?

    “Recipes for Disaster”, além das reflexões cómicas sobre os hábitos pouco ecológicos - “se lavamos todo o nosso corpo com água, por que é que limpamos a parte mais suja com papel?” - desemboca num relativo fracasso.

    Depois de adoptar um modo de vida excêntrico e às vezes eremita, a família Webster, “poupa” um total de 9.655 quilos de dióxido de carbono durante 12 meses.

    E a pergunta que paira no final do documentário é: “O que acontecerá quando não for uma experiência mas uma imposição da natureza?”.

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