Crise grega vai dominar cimeira de Cannes

Crise grega vai dominar cimeira de Cannes

 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Nov de 2011, 06:15

Os últimos desenvolvimentos da crise financeira da Grécia e o seu impacto na Europa e no mundo vão dominar a cimeira do G20 que hoje se inicia em Cannes, no Sul de França.

Na noite de quarta, França e Alemanha disseram que a Grécia tem de decidir, no referendo de 04 de dezembro, se quer permanecer na Zona Euro e decidiram congelar as ajudas financeiras enquanto Atenas não aplicar o plano de resgate acordado no final de outubro.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, foram unânimes ao considerar que o referendo grego é uma questão de "sim ou não" ao euro. “Queremos a estabilidade da Zona Euro - de preferência com a Grécia e não sem ela -, mas o dever de preservar esta estabilidade continua prioritário”, afirmou Merkel em conferência de imprensa conjunta com o presidente francês.

Esta é a primeira vez que está em cima da mesa a saída de um Estado da união monetária europeia, na sequência de um pedido de resgate financeiro internacional, solução que até aqui foi sempre tabú.

A crise das dívidas soberanas já era o principal tema na agenda deste encontro de dois dias dos líderes do G20 (grupo de 19 grandes economias mais a União Europeia, que em conjunto representam 80 por cento do PIB mundial).

A cimeira será agora dominada pelas ondas de choque do anúncio do primeiro-ministro grego, George Papandreou, da intenção de referendar, a 04 de dezembro, um plano de resgate europeu.

Esse plano saiu de uma cimeira da União na semana passada, e contemplava uma ajuda financeira à Grécia no valor de 230 mil milhões de euros (100 milhões dos quais sob a forma de perdão de dívida por parte dos bancos) e o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) da Zona Euro até um bilião de euros. O plano também previa a participação de países emergentes como a China ou o Brasil (ambos presentes na cimeira de Cannes) no FEEF.

A aplicação do plano está, porém, agora em risco devido à possibilidade de um “não” grego no referendo.

No fim de semana passada, os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, escreveram uma carta conjunta aos parceiros do G20 a pedir que juntem os seus esforços às medidas decididas recentemente pelos europeus para enfrentar a crise.

"Vamos pôr em prática estas medidas de forma rigorosa e em tempo útil, e estamos certos de que contribuirão para uma resolução rápida da crise. No entanto, o fato de nós, europeus, cumprirmos o nosso papel não é suficiente para assegurar a retoma mundial e um crescimento equilibrado", lê-se na carta dos dois líderes europeus.

Continua a ser necessário, advertiram Barroso e Rompuy, "que o conjunto dos parceiros do G20 ajam de forma conjunta num espírito de responsabilidade e com um objetivo comum".

Também durante o fim de semana, o primeiro-ministro português afirmou esperar que a cimeira do G20 considere a criação de uma taxa sobre as transações financeiras à escala global, para ajudar os países mais afetados pela instabilidade financeira.

Durante uma conferência de imprensa no final da XXI cimeira Ibero-Americana, em Assunção, no Paraguai, Pedro Passos Coelho manifestou a esperança de que o G20 avance no sentido de uma "reforma do sistema monetário internacional, que passa evidentemente pela reforma do próprio FMI e pelo reforço da capacidade para a regulação" ao nível global.


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