Costa Neves critica "endeusamento" de Sócrates no acordo do Tratado de Lisboa


 

Lusa / AO online   Regional   21 de Nov de 2007, 15:31

O presidente do PSD/Açores, antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, atribuiu a José Sócrates um “mérito razoável” no acordo sobre o Tratado de Lisboa e criticou o “endeusamento” do primeiro-ministro português neste processo.
“O engenheiro Sócrates tem o seu papel como pessoa que recebeu um conjunto de dossiers num determinado estádio e deu-lhe o caminho que se esperava que desse”, afirmou Costa Neves em entrevista à agência Lusa, em que se mostrou “muito vacinado contra a propaganda”.

Para o antigo deputado europeu, neste processo de acordo para o Tratado Reformador da União Europeia “não se distinguiu o trabalho de dezenas de pessoas no país, mas são aqueles que ficam na sombra”.

“O que é verdade é que a presidência alemã - e a Alemanha tem a influência que tem na UE - deixou uma marca indelével neste Tratado”, alegou Carlos Costa Neves, que foi secretário de Estado dos Assuntos Europeus entre Abril de 2002 e Julho de 2004.

Salientou ainda que, expurgado de alguns aspectos mais políticos e institucionais, este “Tratado é o que veio da Convenção Europeia, de Valéry Giscard d'Estaing e até de Governos PSD/CDS de há alguns anos atrás”.

Depois de destacar o “papel muito importante” de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, no acordo, Costa Neves concordou em atribuir a “José Sócrates parte da vitória e do sucesso da negociação”, mas alegou que se trata de “uma parte a par de uma série de outros protagonistas”.

“E, portanto, não endeusemos o engenheiro Sócrates. O engenheiro Sócrates não fez mal o seu trabalho e correspondeu às necessidades daquele momento”, disse Costa Neves, recentemente reeleito líder dos social-democratas açorianos.

Mas, para isso, não havia “necessidade de pôr na sombra todos os outros que tiveram um papel essencial”, disse o líder do PSD/Açores, que destacou a contribuição do secretário de Estado Lobo Antunes, do embaixador Álvaro Mendonça e Moura, de Hernâni Lopes e de ministros dos Negócios Estrangeiros.

“Acho que é importante que as pessoas tenham em conta esta realidade, porque é ela que as faz parte do Mundo. Não é o endeusarmos, para efeitos da propaganda, um primeiro-ministro no principal factor de algo em que ele teve uma participação”, alegou.

Relativamente ao papel das ultraperiferias na União, Carlos Costa Neves adiantou que o Tratado Reformador “não trata bem nem mal” estas regiões, uma vez que “não altera nada” do que já estava previsto nos anteriores tratados europeus.

“Nós beneficiamos de algumas linhas orientação do novo Tratado que não têm implicação directa nos Açores”, como a maior eficácia de governabilidade da União e a consolidação de política de coesão económica, social e territorial”, salientou.

Mas, em relação ao artigo do Tratado que se refere à ultraperiferia, está “lá como antes e, sensivelmente, no mesmo conteúdo”, disse Costa Neves.

Para o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, com este novo Tratado, a “União Europeia evoluiu e abriu novos espaços para actuar”, ao nível da Política Externa e de Segurança Comum e de Justiça e Assuntos Internos e a reafirmou valores importantes da UE. 

A 19 de Outubro, uma cimeira realizada em Lisboa permitiu chegar a acordo sobre o novo Tratado que será formalmente assinado, em Dezembro, na capital portuguesa.
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