Cientistas alertam para efeitos de alterações climáticas nos oceanos e nos humanos

Cientistas alertam para efeitos de alterações climáticas nos oceanos e nos humanos

 

Lusa/AO online   Ciência   16 de Out de 2013, 15:27

Um grupo de cientistas alertou esta quarta-feira para o risco de degradação dos ecossistemas marinhos, devido às alterações climáticas, e para as consequentes dificuldades para os humanos, em 2100, podendo ser afetados até 870 milhões de pessoas.

O estudo esta quarta-feira publicado na PLOS Biology, que teve a participação da portuguesa Teresa Amaro, do Instituto Norueguês de Investigação da Água, descreve a cadeia de acontecimentos que vão implicar mudanças bioquímicas nos oceanos devido às emissões de gases com efeito de estufa.

Estas mudanças vão, por sua vez, atingir os habitats e organismos marinhos, "eventualmente" afetando os humanos.

As ramificações humanas destas alterações "vão provavelmente ser profundas e abrangentes", e os cientistas apontam a cadeia alimentar, a pesca e o turismo como principais setores atingidos.

O estudo mostra que "470 a 870 milhões de pessoas pobres em todo o mundo dependem do oceano para a alimentação, emprego ou rendimento e vivem em países em que as atividades relacionadas com o oceano podem estar em causa pelas várias alterações bioquímicas do mar".

A análise centrou-se no aquecimento e na acidificação dos oceanos e refere o "esgotamento do oxigénio dissolvido no mar e uma quebra na produtividade dos ecossistemas".

Em 2100, os valores médios do oceano podem apresentar uma subida da temperatura entre 1,2 e 2,6 graus Celsius e uma redução do grau de concentração de oxigénio, de 2% a 4%, face aos valores atuais, segundo o estudo.

"Quando olhamos para os oceanos de todo o mundo, há poucos locais que sejam poupados às alterações e a maior parte vai sofrer os efeitos do aquecimento, da acidificação e das reduções de oxigénio e da produtividade", resume o coordenador do trabalho de investigação que reuniu entidades de vários países.

Citado num comunicado a divulgar o trabalho, Camilo Mora, professor na faculdade de Ciências Sociais da Universidade do Havai, refere que as consequências das mudanças atingem a sobrevivência das espécies e a sua abundância, mas também as características do corpo de cada espécie, como a sua dimensão, ou o funcionamento do próprio ecossistema.

Mesmo as mudanças aparentemente positivas em latitudes mais altas, "não são necessariamente benéficas", alertam os cientistas, pois "espécies invasoras imigram para estas zonas, modificando as condições do oceano e ameaçando as espécies autóctones, das quais os humanos dependem".

O estudo envolveu 28 especialistas em modelos climáticos, em biologia, geologia, química, oceanografia e ciências sociais.


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