Cancro Colo do Útero

Associação Europeia recomenda a Portugal integração da vacina


 

Lusa/ AO   Nacional   4 de Out de 2007, 08:20

A Associação Europeia do Cancro do Colo do Útero recomendou hoje a Portugal que inclua a vacina contra o vírus do papiloma humano no Programa Nacional de Vacinação, alertando para o perigo de esta protecção se restringir apenas "aos ricos".
O director geral da associação, Philip Davies, que está a participar no congresso europeu sobre cancro do colo do útero, Eurogin 2007, que hoje começa no Mónaco, sugeriu ainda a criação de uma base de dados para melhorar o rastreio preventivo feito à população.

    "Um efectivo programa de prevenção contra o cancro do colo do útero deve incluir o rastreio ao vírus do papiloma humano (HPV) e a vacinação", declarou Davies à agência Lusa.

    Considerou ainda fundamental que os países criem uma base de dados que abranja toda a população para que se controle quem está ou não rastreado, uma vez que a prevenção se consegue através de um simples exame ginecológico que pode até ser solicitado pelo médico de família no centro de saúde.

    A par do rastreio e das campanhas de informação junto das mulheres e dos profissionais de saúde, Davies salienta a importância da vacinação e reconhece que o preço da vacina pode restringir a sua toma.

    "Não se pode transformar numa vacinação dos ricos", alertou.

    A vacina, que no total das três doses necessárias custa 480 euros, foi colocada no início do ano à venda em Portugal e tem de ser totalmente paga pelas mulheres que optam pela sua toma.

    Mas Philip Davies acredita que o preço se vai reduzindo graças à lei do mercado, uma vez que outra empresa farmacêutica irá começar a comercializar em breve outra vacina contra o HPV.

    "Quando as vacinas chegam ao mercado são caras, mas o preço vai reduzindo e isso deverá acontecer rapidamente", estimou.

    Em Portugal, o Infarmed (autoridade da farmácia e do medicamento) está a analisar estudos de custo-efectividade da vacina, mas a decisão final em relação à comparticipação cabe ao ministro da Saúde.

    Paralelamente, a Direcção-Geral da Saúde e a comissão técnica de vacinação têm analisado a doença e o contexto epidemiológico português para avaliar as estratégias de vacinação mais adequadas.

    As estratégias podem ir desde uma vacinação universal (incluindo a vacina no Programa Nacional de Saúde) ou dirigirem-se a determinados grupos, como sucede com vacinas que são recomendas, por exemplo, a quem viaja para países onde existe uma determinada doença (como a febre amarela).

    A Associação Europeia do Cancro do Colo do Útero (ECCA, na sigla inglesa) também gostaria de ver alargada a participação portuguesa na organização.

    A ECCA, estabelecida desde 2002, conta actualmente com a participação de 29 países e tem funcionado como uma rede de peritos e instituições que promove campanhas com vista à aplicação de programas de prevenção da doença.

    Liga Portuguesa Contra o Cancro, Sociedade Portuguesa do HPV e Secção Portuguesa de Coloposcopia são as organizações portuguesas já ligadas à ECCA.

    Mas há interesse em alargar a adesão portuguesa, até porque a Associação admite que é necessário aumentar a informação dada aos portugueses.

    Exemplo disso são as brochuras informativas da ECCA, que se encontram adaptadas para 17 países mas que não existem para distribuir em Portugal. Também o site está traduzido em sete línguas, mas não em português.

    Estes folhetos contêm "informação simples e concreta" sobre o HPV e o cancro do colo do útero e destinam-se a ser distribuídos nos serviços oficias de saúde da Europa.

    Com o objectivo de pôr a prevenção deste tipo de cancro na agenda europeia, a ECCA criou um grupo com a participação de 40 membros do Parlamento Europeu e quer expandi-lo de modo a influenciar directamente as políticas nacionais.

    Uma semana dedicada à prevenção do cancro do colo do útero está já agendada para 20-26 de Janeiro de 2008, quando será entregue uma petição com medidas preventivas consideradas essenciais aos ministros da Saúde europeus.

    Segundo dados da ECCA, só na Europa são detectados anualmente 50 mil novos casos de cancro do colo do útero e 25 mil pessoas por ano morrem da doença.

    Em Portugal, este cancro, que aniquila a vida sexual e familiar das sobreviventes, mata em média uma mulher por dia.

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