Açoriano Oriental
Alicates e x-actos auxiliam jovens nos furtos em lojas
Lojistas do Parque Atlântico queixam-se do aumento de furtos perpetrados por jovens com idades
compreendidas entre 11 e 15 anos, que recorrem a alicates e x-actos para se livrarem dos alarmes
 Alicates e x-actos auxiliam jovens nos furtos em lojas

Autor: Luísa Couto

 

Deixaram de ser um impedimento para os amigos do alheio os alarmes de segurança colocados em muitos artigos das lojas do centro comercial Parque Atlântico. Com o auxílio de alicates, x-actos e tesouras, o dispositivo de segurança é retirado da roupa, evitando assim a activação do alarme à saída da loja com os artigos roubados.
Mas o mais preocupante nesta situação é o facto da autoria destes “esquemas de furto” pertencer a jovens com idades compreendidas entre 11 e 15 anos. São, na sua maioria, raparigas e o alvo preferencial são as lojas de pronto-a-vestir, com destaque para lojas como a Stradivarius, Berska, Zara, Mango e Pull and Bear. Ao que o Açoriano Oriental apurou junto de vários responsáveis de loja da maior superfície comercial dos Açores, esta tendência tem vindo, nos últimos tempos, a ganhar maior expressão o que preocupa seriamente os lojistas.
“Se se contabilizar o número de casos em que os autores dos furtos foram apanhados em flagrante, temos a perfeita noção do aumento de furtos e do perfil de quem os leva a cabo. Quando não são apanhados, basta no final da noite, durante a arrumação da loja, contar o número de alarmes que são encontrados soltos e também danificados”, explica uma das responsáveis de loja.
Explicam as lojistas que tudo acontece nos provadores. As peças pretendidas são levadas para prova para aí, com recurso a alicates ou outros objectos cortantes, trazidos nas mochilas escolares, libertar o artigo do alarme. As peças são depois colocadas dentro das mochilas ao passo que os alarmes são depositados em bolsos de calças e casacos e até dentro de calçado. Existem ainda outros casos em que, mesmo com a presença de alarme interno, os jovens vestem as peças por debaixo da roupa e, ao saírem, mesmo que o dispositivo de segurança dispare, o lojista não poderá abordar o indivíduo se não existirem indícios concretos de que houve furto. Atendendo ao volume são, em regra, são t-shirts e top o tipo de peças mais furtadas.Mas não se pense que os furtos acontecem só em lojas com provadores.Mesmo em espaços mais pequenos, por exemplo, nas lojas de acessórios, a perícia de quem pretende “levar sem pagar” quase consegue fazer milagres. Explicam as lojistas que tudo deverá acontecer em fracções de segundo: arrancam o artigos dos cartões durante a mais pequena distracção da empregada. Sair com a peça depois será fácil até porque o alarme permanece na loja. Facto é que nem sempre estas “manobras” revelam êxito e, nos últimos meses, as lojistas do Parque Atlântico têm interceptado muitas jovens com artigos roubados. O caso raramente chega às escolas porque, nestas situações, apesar de se encontrarem em período lectivo, são os pais que são chamados à loja para lhes ser apresentada a situação, acabando estes por ter de pagar os artigos furtados.Explicam os lojistas que, na maioria das siuações, os autores dos furtos até pertencem a agregados familiares com algum poder de compra.
A administração do Parque Atlântico admite o conhecimento destes furtos e desconhece qualquer situação que fuja a indicadores normais.

* Leia mais sobre este tema na edição impressa do Açoriano Oriental de domingo, 25 de Novembro de 2007

 
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