“A psoríase deveria ter medicamentos comparticipados"

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Rui Jorge Cabral   Regional   31 de Out de 2009, 07:30

Patrícia Santos, directora do serviço de Dermatologia do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), estima entre 5 a 7500 as pessoas que sofrem de psoríase nos Açores. A doença é frequente, benigna e não é contagiosa, mas por atingir a pele, é estigmatizante.

 

Há dados sobre o número de pessoas que sofrem de psoríase nos Açores?

Embora não haja uma estatística que possa fundamentar estes números, por sabermos que a psoríase a nível mundial tem uma prevalência de 2 a 3 por cento da população, se fizermos as contas para os cerca de 250 mil habitantes dos Açores, deveremos ter entre 5 mil a 7500 pessoas afectadas pela doença.

 

Como é que se caracteriza a psoríase?

A psoríase tem muitas formas clínicas de apresentação. A forma mais clássica e habitual é o aparecimento de manchas vermelhas com uma descamação branca, que surgem em sítios muito típicos como os cotovelos, os joelhos, as regiões lombares, o umbigo e também o couro cabeludo. As vezes, as caspas mais resistentes mais não são do que psoríases do couro cabeludo. Depois, há muitas variantes de psoríase, que podem ser mais graves ou menos graves e mais extensas ou menos extensas na pele. Há formas muito graves de psoríase que atingem a pele toda mas, felizmente, não são essas as formas mais frequentes.

 

Para além das consequências físicas da psoríase, ao nível psicológico, quais são os principais problemas?

Na maior parte das pessoas, a psoríase tem uma repercussão psicológica importante, porque há um estigma social associado à doença. As pessoas que contactam com quem tem psoríase pensam que aquela doença é contagiosa, podem tentar evitar a pessoa e ela sente-se marginalizada. Mas, na realidade, a psoríase não é uma doença contagiosa. Há também doentes que têm uma percepção da doença que para nós pode ser exagerada, mas para eles é terrível e o suficiente para não terem convívio social ou para não irem à praia no Verão...

 

Por ter uma prevalência elevada, acha que as autoridades de saúde deveriam dar mais atenção à psoríase?

Sim, porque um dos principais problemas relacionados com a psoríase é o facto dos medicamentos utilizados para o seu tratamento serem extremamente caros. Quando a psoríase está localizada em zonas muito específicas e tem pouca extensão, a forma de a tratarmos é a utilização de cremes, pomadas e hidratantes. Mas esses produtos são caros e a maior parte das pessoas com rendimentos baixos não tem capacidade económica para tratar a psoríase. Como doença crónica que é, a psoríase deveria ter medicamentos comparticipados, mas talvez por ser uma doença de pele, é considerada como um problema estético e praticamente não há comparticipações, sobretudo nos cremes, pomadas e hidratantes.

 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Açoriano Oriental de 31 de Outubro de 2009.


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