Sindicatos da RTP pedem demissão do diretor de informação

Sindicatos da RTP pedem demissão do diretor de informação

 

  Nacional   2 de Nov de 2013, 19:34

Os Sindicatos da RTP pediram hoje a demissão do diretor de informação, Paulo Ferreira, devido a declarações que entenderam violar "o código de ética" sobre o processo de rescisões voluntárias no operador de televisão estatal.

Em comunicado, os Sindicatos dos Meios Audiovisuais (SMAV), Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações (STT), Sindicato Independente dos Trabalhadores da Informação e Comunicação (SITIC) e Sindicato das Comunicações de Portugal (Sicomp) referem que Paulo Ferreira "não agiu com urbanidade".

Em declarações reproduzidas no "Dinheiro Vivo", na quarta-feira, Paulo Ferreira aludiu que os trabalhadores da RTP que rescindiram voluntariamente eram as pessoas "mais talentosas", enquanto as que ficam "acabam por ser, muitas vezes, as menos capazes".

Afirmou também o responsável da RTP que "vão ser dispensadas mais 300 pessoas do departamento de produção, que deixará de existir, passando esta função a ser comprada a empresas terceiras".

Acrescentaram os sindicatos que as afirmações de Paulo Ferreira na entrega de prémios "Melhores Gestores de Pessoas 2013" não dispensam "respeito e cooperação para com os seus colegas", além de o acusarem de não "contribuir para a criação e manutenção de um bom ambiente de trabalho e espírito de equipa".

"Repudiamos que um diretor da televisão pública, com responsabilidades de gestão e com obrigações no cumprimento de normas internas e de conduta específica, faça considerações públicas sobre a vida interna da empresa [RTP], que tem a obrigação de defender e, em vez disso, decida vir a público denegrir profissionalmente os seus colegas e a empresa", sustentaram.

Entendem os sindicatos que "os profissionais da RTP, no ativo, demonstram, diariamente, a sua competência e excelência, mesmo vivendo a pior fase laboral das suas vidas".

"Estes profissionais não precisam de ver, publicamente, as suas carreiras devassadas e postas em sobressalto por um quadro dirigente que, recentemente, perdeu credibilidade por parte dos seus próprios pares e que, de novo, se vê envolto em declarações que consideramos manifestamente inconvenientes, despropositadas, inoportunas, irresponsáveis e vergonhosas", lê-se no comunicado.

Por isso, estranha o conjunto de sindicatos que "o presidente do Conselho de Administração [Alberto da Ponte] permita que um quadro faça declarações públicas desta natureza, proibidas por regulamentação interna".

"Paulo Ferreira violou o código de ética, ao desrespeitar um princípio a que todos os trabalhadores estão obrigados: a lealdade. As declarações não salvaguardam a credibilidade e a imagem da RTP e promovem o seu desprestígio", dizem os sindicatos.

Contactado pela Lusa, Paulo Ferreira considerou não entender "esta polémica artificial nem a sustentação das acusações" que lhe são dirigidas, porque, esclareceu, "sobre a questão das saídas voluntárias", fez posteriormente "chegar ao Dinheiro Vivo uma nota sobre o teor das declarações".


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