A Jolera, multinacional canadiana na área das tecnologias de informação (TI), instalou-se nos Açores em 2022, com um centro de operações no NONAGON. Hoje inaugura novas instalações. O que motivou esta mudança?
Alex Shan (AS) - Já estamos há três anos nos Açores. Começámos num escritório mais pequeno, e solicitámos ao Nonagon a construção de um novo escritório. Demorou cerca de um ano e meio a concluir, e está finalmente pronto. Deste modo, podemos contratar mais pessoas para expandir, pois uma das restrições que tínhamos era a falta de espaço. Precisamos que as pessoas trabalhem em conjunto, no mesmo espaço, para as formar e desenvolver.
Hugo Pinho (HP) - Estamos sempre à procura de novos talentos. Temos protocolos com a ENTA e a UAc aqui nos Açores, e trabalhamos em estreita colaboração com estas entidades. Damos formação durante os estágios dos alunos, sendo que 100% dos estudantes são contratados após o estágio. Isto é bom para a economia local e para nós, porque estamos a atrair bons talentos, o que nos ajuda a crescer e a expandir as equipas. Estivemos um pouco limitados no último ano e meio por causa da falta de espaço no escritório, mas agora podemos expandir. Quando chegámos, tínhamos como objetivo ter 100 colaboradores; atualmente, somos 42. Esperamos atingir esse número rapidamente.
O espaço era o principal obstáculo?
AS - Sim, tentámos mudar para outro local mais afastado, mas mesmo assim não era o espaço ideal e seria muito problemático ter de mudar vezes e vezes sem conta. Agora, estou de volta passados dois anos, com o espaço pronto; e isto é um grande avanço.
AS - Estamos em 15 países. A equipa dos Açores faz parte de uma unidade maior, mas tem gente suficiente para o mercado local e para dar apoio adicional a projetos específicos. A equipa tem sido uma das mais promissoras, pois as pessoas aqui estão muito ansiosas por aprender e a retenção é muito boa porque os colaboradores locais são muito leais e permanecem no trabalho, o que é muito importante para nós, pois investimos nas pessoas com formação e certificação, e se elas vêm e vão, é um desperdício de tempo e dinheiro para todos. Uma das coisas que pretendemos desenvolver mais este ano, agora que temos espaço, é trazer os nossos líderes e especialistas para dar formação aqui. Até porque a equipa já tem mais experiência e podemos oferecer mais oportunidades de gestão e outras do género.
A partir desta semana, vamos investir cada vez mais em Inteligência Artificial (IA). E isto significa trabalhar com as autoridades locais. Temos reuniões com representantes do governo para discutir como podemos impulsionar ainda mais este setor. E também iremos reunir com a Universidade mais tarde, para discutir o que estão a fazer com a IA e como podemos ajudá-los a melhorar e tornar o processo mais rápido e eficiente para a entrada na economia local.
Os projetos da Google nos Açores trazem oportunidades para a Jolera?
AS - Tudo isto é muito bom. Penso que assim que a notícia se espalhar (só descobrimos isto recentemente), veremos muito mais desenvolvimento internacional a chegar aqui, porque a conectividade é muito importante e a localização geográfica é excelente. Está no centro. Portanto, há muitos benefícios.
Mas, o investimento da Google na fibra ótica vai aumentar a visibilidade, e isso vai aumentar o risco, porque quando se tem mais visibilidade no seu país e mais largura de banda, isso vai despertar o interesse de pessoas de fora da região em realizar atividades ilegais na área. Assim, este é um bom momento para começar a pensar no que vai acontecer em breve: como proteger a nossa rede elétrica; como proteger as nossas companhias aéreas e instituições locais das potenciais ameaças que estão a surgir. E será essa a conversa que teremos com as autoridades.
Qual é a vossa meta nos Açores?
HP - Temos contratos com o governo e estamos a expandir este ano para Terceira, para também dar apoio ao data center do governo. Estamos a trabalhar com eles e a procurar mais contratos locais. Temos algumas autarquias que já trabalham connosco em serviços de GRC (Governação, Risco e Conformidade) - monitorizamos as suas firewalls, por exemplo. Mas acredito que a maioria das empresas nos Açores provavelmente tem falta de recursos de TI, e nós estamos aqui para ajudar. Estamos aqui para os aconselhar e ajudar com consultoria. E, estamos também a expandir com IA (Inteligência Artificial). A tecnologia está em constante evolução. Somos uma empresa multinacional com atuação global. Por isso, precisamos de acompanhar o ritmo acelerado da indústria norte-americana, o que nos obriga a aprender constantemente, a adaptarmo-nos e a procurar o próximo produto. Estamos sempre na vanguarda, no topo da cadeia de valor. E estamos aqui para ajudar as empresas, aconselhando-as sobre como fazer avançar em tecnologia e serviços. E é por isso que estamos à procura de parcerias.
AS - No que se refere à IA, temos soluções desenvolvidas para cada segmento. Vamos descobrir se há interesse em gerar eficiência e como podemos trazer parte desta experiência que reunimos de outras economias de primeira linha no mundo para aplicá-la aqui nos Açores. Deste modo, com sorte, poderemos dar uma vantagem à população ativa. As opções são apenas duas: fingir que não existe e não fazer nada, ou fazer alguma coisa. Eu acredito que a IA é uma viagem, não um destino. Precisamos de embarcar nesta viagem e penso que é importante que, se nos queremos manter à frente como comunidade, como país, como região, ou pelo menos acompanhar o ritmo, precisamos de estar na estrada.
