Sexualidade mal ensinada nas escolas pode ser prejudicial

Sexualidade mal ensinada nas escolas pode ser prejudicial

 

Lusa/AO Online   Nacional   5 de Nov de 2009, 14:33

O sexólogo Nuno Monteiro Pereira alertou hoje que a educação sexual mal ensinada nas escolas pode ser prejudicial para as crianças.

O especialista defende  que educadores têm de estar “perfeitamente à vontade” com a sua sexualidade para não transmitirem ideias erradas.

“A educação sexual nas escolas é importante, mas também é questionável”, disse à agência Lusa o especialista, a propósito das V Jornadas de Sexologia da Universidade Lusófona, que estão a decorrer em Lisboa.

Para o médico, o facto de se falar muito de sexo, não quer dizer que se saiba de sexualidade.

“Determinar por decreto que se passa a ensinar sexualidade pode ser arriscado”, sublinhou, justificando que “há tantas nuances que, se a educação sexual não for muito bem feita, pode ser contraproducente”.

Nuno Monteiro Pereira adiantou que os modelos de educação sexual aplicados nalguns países “não têm mostrado os resultados teóricos esperados”.

“A questão é se falham porque não se conseguiu pôr em efeito ou porque na verdade o modelo está mal construído”, comentou.

Por outro lado, para educar numa “área tão complexa” é preciso arranjar educadores que “têm de estar perfeitamente à vontade com a sua própria sexualidade para não induzirem em erro as suas próprias insuficiências e dificuldades”, defende.

“Escolher educadores numa área tão íntima é o primeiro e principal problema e, a esse nível, nunca vamos conseguir ter a certeza de que não vamos gerar problemas”, sustenta.

Para Nuno Monteiro Pereira, o ensino da sexualidade depende muito da sensibilidade, mas também das culturas: “Ensinar a sexualidade no Norte do país não é exactamente o mesmo que no Sul porque as culturas e as realidades são diferentes.”

“Eu nunca poderia dizer qual é o modelo que defendo porque ainda não vi um modelo que minimamente me despreocupasse, antes pelo contrário”, concluiu.

Sobre a saúde sexual dos portugueses, o médico assegurou que “está boa”: “quando comparada com outros países pode dizer-se que está tão ou mais saudável em termos de qualidade e quantidade”.

Nuno Monteiro Pereira lembrou que a “sexualidade é uma parte muito importante da vida de cada pessoa”, havendo uma “série de factores que perturbam a situação", como "desinformação e revistas que dão informação um pouco fantasiosa e criam mitos que depois originam disfunções sexuais”.

A própria doença e o stress são factores que desencadeiam perturbações na sexualidade a nível conjugal e individual, acrescentou.


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