Segurança e horas extra dos médicos impediram combate a listas de espera

Segurança e horas extra dos médicos impediram combate a listas de espera

 

Lusa/AO online   Regional   16 de Out de 2013, 16:49

O Governo dos Açores assumiu hoje que por questões de segurança e aumento de encargos com as horas extraordinárias dos médicos não aplicou uma decisão do parlamento regional, aprovada por unanimidade, que visava reduzir listas de espera para cirurgia.

 

Foi o secretário regional da Saúde, Luís Cabral, quem o reconheceu durante uma interpelação ao Governo dos Açores no parlamento da região, na Horta, sobre o endividamento do setor empresarial público no arquipélago agendada pelo PSD.

Durante o debate, o deputado social-democrata Luís Maurício disse que o executivo nada fez para reduzir este ano as listas de espera para cirurgia nos Açores, ao contrário do que foi aprovado no âmbito do orçamento da região para 2013. O deputado lembrou que o parlamento regional aprovou por unanimidade uma resolução que destinava 700 mil euros a esse fim.

Na resposta, o secretário regional da Saúde reconheceu que a resolução não foi aplicada, em primeiro lugar, por questões de segurança.

O responsável referiu o caso do hospital de Ponta Delgada, que tem falta de anestesiologistas e onde “há já dois processos por suspeita de negligência” de dois especialistas desta área, tendo o processo de inquérito preliminar revelado que estão relacionados com o "cansaço".

"Não seria lógico estar a sobrecarregar esses anestesiologistas com trabalho suplementar” ao fim de semana, os dias de descanso a que têm direito, acrescentou.

Por outro lado, acrescentou, o “enquadramento financeiro” mudou desde a aprovação do plano e orçamento da região para 2013 já que o executivo assinou um acordo com os médicos que aumentou para sensivelmente o dobro o valor que lhes paga pelas horas extraordinárias feitas acima do limite legal.

Luís Cabral referiu que este acordo tem “implicações” nas contas da saúde e que o executivo optou por não fazer o “investimento nas listas de cirurgia” que estava previsto, preferindo “garantir o funcionamento regular dos serviços de urgência básica espalhados por todas as ilhas”.

Estas declarações motivaram críticas de Artur Lima, do CDS-PP, que considerou que seguindo a mesma lógica, não há segurança no Serviço Regional de Saúde, já que em muitos serviços há apenas um ou dois especialistas em cada área.

“Tenta justificar a vossa incompetência, ineficácia e ineficiência no combate às listas com uma desculpa que não pega. Se for para levar a sério a sua afirmação pode preparar-se para fechar muitos serviços em muitos hospitais ou então prepare-se para fazer aquilo que encapotadamente vem no seu documento para a saúde: centralismo, centralizar […] tudo numa ilha”, afirmou, numa referência ao plano reestruturação do Serviço Regional de Saúde.

Já Luís Maurício considerou que o Governo dos Açores não pode desrespeitar uma decisão do parlamento regional, dizendo que os deputados não são “bonecos”, mas eleitos e representantes do povo.


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