De acordo com o relatório elaborado pela secção dos Açores do TdC, a ART não apresentou contas relativamente aos anos de 2021, 2022, 2023 e 2024, embora esteja “sujeita ao dever de elaborar e prestar as respetivas contas ao Tribunal de Contas”, tal como é exigido a todas os organismos públicos.
“Aquela obrigação foi cumprida extemporaneamente, tendo as contas relativas aos anos de 2021 a 2024 sido prestadas já no decurso da presente ação”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso, que lembra que esta “infração processual” pode dar origem ao pagamento de multas.
O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH), Marcos Couto, que é por inerência presidente da ART, justificou, em sede de contraditório, a não prestação atempada de contas com a ausência de atividade da associação nos últimos anos.
“Basicamente, a atividade da ART no período em referência nos autos assenta em meros atos contabilísticos, cujos residuais fluxos financeiros visaram o pagamento de dívidas junto de entidades bancárias e diversos credores, no sentido de regularizar contas”, explicou Marcos Couto, numa carta enviada ao TdC, adiantando que o objetivo passa pela “dissolução e extinção” da associação.
Quando foi fundada, a Associação Regional de Turismo era composta pela Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo e pelos municípios das ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge e Pico e tinha como objetivo desenvolver atividades de qualificação da oferta, de ordenamento e de promoção turística.
Mais tarde, a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) e as câmaras municipais das ilhas do Faial e das Flores juntaram-se também à associação, com a intenção de arrecadar verbas, subsídios e donativos para atrair mais receitas e turistas para as ilhas do Grupo Central e Ocidental dos Açores, onde o setor estaria menos desenvolvido.
“A análise aos rendimentos da ART, no período de 2021 a 2024, evidencia uma atividade reduzida, praticamente inexistente”, reconhece a auditoria do TdC, adiantando que, no último ano, a associação “registou apenas 136,77 euros em rendimentos”.
O presidente da ART assegurou que, mesmo assim, ainda diligenciou no sentido de apresentar as contas ao tribunal, mas a ausência de funcionários na ART, a “inexistência” de atividade por parte do Conselho Fiscal e a falta de ‘software’ de contabilidade “impossibilitaram a elaboração e submissão da prestação de contas”.
Os juízes conselheiros que elaboraram o relatório tinham inicialmente concluído que deixavam de subsistir “pressupostos para o apuramento de responsabilidade financeira” devido à entrega intempestiva das contas por parte da ART, mas acabaram por mudar de opinião, com base “no contexto” e nas “justificações apresentadas”, determinando “a abertura de um processo autónomo de multa” e remetendo o caso ao Ministério Público.
Associação Regional de Turismo dos Açores esteve quatro anos sem prestar contas
A Associação Regional de Turismo (ART), instituição sem fins lucrativos que foi criada em 2003 nos Açores, esteve quatro anos sem prestar contas, infração sancionável com multa, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC)
Autor: Lusa/AO Online
